Bianchi Ocelot MTB Fixa (pinhão Surly Dingle 21x17 e a altura do mov.central é 29cm)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Por Que Ter Uma Bike Fixa? Sete ou Mais Motivos para Pedalar uma Fixa

Lendo e refletindo sobre bikes fixas, montando e pedalando nelas nos últimos anos me levou a escrever sobre as possíveis motivações para alguém ter uma fixa.

Este texto tem como objetivo servir de catalisador para o futuro fixeiro refletir sobre suas próprias motivações para adquirir ou montar uma fixa. Os aspectos mais relevantes são elencados abaixo.

Ressalte-se que uma bike fixa não tem apelo para todo mundo, da mesma maneira que alguns ciclistas preferem MTB, outros preferem uma hibrida ou bike de estrada, ou ainda uma BMX. E gosto não se discute. 

1) Retorno ou Retomada da Simplicidade
As bicicletas de hoje chegam a ter 33 marchas, porém não é possível usar todas, é mais jogada de marketing !!!  E a troca de marchas pode ser feita eletronicamente, como acontece nos carros de Formula 1.

A tecnologia básica da fixa não mudou praticamente nada nos últimos 110 anos, isto é, continua sendo cubo com pinhao fixo + corrente + pedivela com pedal. Houve melhorias, tais como: movimento central selado; pedal clipless e o uso de rolamentos nos cubos. E, obviamente a qualidade dos materiais utilizados evoluiu, ficaram mais leves (alumínio para certos componentes, e liga de aço cromoly para o quadro etc.).

2) Afirmação da Individualidade e Criatividade
As fixas tornaram-se mais um meio do ciclista urbano afirmar a sua individualidade no mundo massificado de hoje. A Fixed Gear Gallery é uma vitrine que mostra as possibilidades da criatividade individual – da Indonésia ao Brasil – que montam suas fixas (a partir de quadros novos p/fixa, antigos de estrada (convertidos), encostados, MTBs antigas etc.) nas mais diversas cores e combinações de componentes.

3) Exercício Físico Salutar
Entre os diversos tipos de bikes, a fixa é a que mais demanda do ciclista em termos físicos. Inexiste a ajuda das marchas e nem pode parar de pedalar temporariamente como numa bike com marchas. Você pedala sem parar. Se a roda traseira está girando, você está pedalando. Nas subidas, para não forçar os joelhos, é preciso pedalar em pé.
Pedalar de fixa melhora a sua condição física conforme esta citação do treinador de ciclismo Chris Carmichael (ex-treinador da equipe Olimpica dos USA): "Uma hora e meia à duas horas pedalando uma fixa é equivalente a quatro horas pedalando normalmente”.

4) Baixíssima Manutenção.
A simplicidade franciscana da fixa resulta em pouca manutenção. Caso seja usado o freio para brecar a bike, ou seja, você não dá SKIDS, os pneus duram bastante assim como o cubo de pista com lockring. A única coisa que precisa ser trocada com certa freqüência é a corrente, pois ela é muito exigida numa fixa.

5) Diversão: Prazer de Pedalar por Pedalar
Você ainda lembra da sensação de como era pedalar no seu triciclo aos três anos de idade? A única diferença no funcionamento do triciclo em relação a fixa é que esta tem uma corrente que conecta o pedivela com a roda, enquanto que no triciclo o pedivela está conectado diretamente na roda. O resto funciona igual, a roda gira e os pedais acompanham e vice-versa. Na fixa, você não se preocupa em trocar a marcha ou gastar tempo pensando se está na marcha certa, só tem que pedalar.

6) Apelo Sensorial: Leve, Silenciosa, Esguia e “Clean” (Despojada)
O apelo visual da fixa (estilo “magrela”) é que ela impregnou a psique coletiva global, o inconsciente coletivo. A “magrela” é uma imagem arquétipa. Por quase um século, as bicicletas foram “magrelas” feitas de tubo estreito de aço ou liga de aço. Observe que os sinais de transito onde aparece uma bike, nada mais são que uma “magrela” estilizada. Isso mudou recentemente, nos últimos 20 anos, com os novos materiais para quadros – alumínio e o carbono; os quais usam tubos oversize (“gordos”).

As fixas em aço ou cromoly são leves, não ultrapassam 10 kgs. Uma Caloi 10 antiga com marchas pesa cerca de 15,7 kgs, mas ela montada com peças de alumínio de qualidade razoável, irá pesar entre 9 a 10 Kgs.

Uma fixa tem poucas peças que se movimentam, consequentemente é muito mais silenciosa que uma MTB ou Speed. Se você prestar bem atenção, vai escutar um leve ruído provocado pela corrente ao passar pelo pinhão e a coroa.

Fixas são despojadas, elas só tem o que é realmente essencial para elas rodarem com segurança.

7) Baixo Custo – Conversão de Bike Encostada / Abandonada em Fixa
Aquela Caloi 10 ou MTB antiga de cromoly (anos 90 – época do boom) abandonada por você na garagem do prédio pode se transformar em uma ótima fixa ou singlespeed. A conversão implica em pouco gasto, colocando somente o essencial para virar uma fixa. Ela tornar-se-á mais leve, mais silenciosa, e terá um visual mais “clean”, e você olhará a nova bike com outros olhos. Caso você não goste da experiência, você facilmente encontrará um comprador ávido pela fixa. No blog tem um post sobre: Como Montar uma Bike Fixa de Baixo Custo”, que mostra o caminho para uma conversão econômica.

8) Ótimo Treinamento
O ciclista, que participa de competições, precisa também treinar numa fixa ou pisteira para aprimorar a cadência de sua pedalada. Isso refletirá positivamente na sua performance ao participar de competições com bike de estrada / speed. Ciclistas europeus e americanos costumam fazer isso nos intervalos da temporada de competições, isto é, no inverno e outono.

9) Comunhão “Zen” com a Fixa (???)
Alguns fixeiros dizem que quando pedalam em suas fixas eles tornam-se totalmente “unos” (integrados, conectados) com ela. É aquela sensação de união total com a fixa, onde você perde a noção de onde começa e termina cada um.

Confesso que nunca tive essa sensação. Comentei isso com um fixeiro  mais experiente, que trabalhou no exterior como “bike courier”, e ele me disse que já sentiu isso. Talvez seja porque ele não usa freio na fixa, mas eu uso.

Eu lembro que estou pedalando na fixa, quando quero dar uma “paradinha” na pedalada (como se faz na bike com marchas) e ela não deixa !!!

10) Está na Moda, os Descolados (“Hipsters”) Têm / Usam (É um Bom motivo???)

Isso é moda no exterior, e está chegando aqui. Lojas de bikes dos Jardins (São Paulo) já estão vendendo esse tipo de bike. Entretanto é bom lembrar da última moda que varreu a cena ciclística brasileira: a febre das MTBs no anos 90.

Surpreendentemente a maioria das MTBs são usadas para pedalar nas ruas, e não nas trilhas. O que é um contra-senso considerando a robustez dela que se traduz em peso excessivo, excesso de complexidade (suspensões, trocadores rapid-fire etc.). Uma bike hibrida (mistura de MTB com Speed), seria muito mais adequada, mas as hibridas não “pegaram” no mercado brasileiro .

Depois de pedalar numa fixa, você vai concluir que as bicicletas destinadas ao lazer, deslocamento para o trabalho etc., ou seja, para uso fora do contexto das competições – que é outro mundo, tem excesso de marchas e complexidade – muito coisas são supérfluas ou desnecessárias. Isso me levou a reconfigurar a minha bike de estrada. Abandonei o Ergopower e voltei a usar as alavancas de câmbio no quadro, que são mais leves, mais simples e mantive às 16 marchas. Acho que nos últimos 2 anos andei uma vez com a bike de estrada.

A moda das fixas foi impulsionada por formadores de opinião, tais como; artistas plásticos e outros do gênero, atraídos pela imagem arquétipa. As fixas foram objeto de reportagem das revistas Wired e da Wallpaper*, que foca design, moda e estilo de vida, que são uma boa chancela para essa onda. Nessa toada, surgiram (por enquanto) duas revistas dedicadas ao novo segmento de bikes: Fixed e a Cog.

Essa moda também chegou ao WalMart americano, que hoje também vende fixas por US$ 150.00 da marca Mongoose. Fim da moda “hipster”?

Resumindo, existem boas razões para você pedalar numa fixa, mesmo que a moda passe. E quanto a moda e "gurus pontificadores" que vem junto com qualquer coisa nova, nunca esqueça da última regra que está no artigo "As Sete Regras das Fixas" (neste blog). Em muitos contextos, a fixa  é muito melhor do que uma MTB ou bike de speed. Em cidades com a topografia plana ou a beira mar, nada melhor que uma fixa. Mesmo em São Paulo, com as ladeiras na região da Av. Paulista, é possível pedalar de fixa. E ainda existem as amplas várzeas habitadas próximas ao Rio Pinheiro e Tietê que são ótimas para pedalar sem muito esforço.


Boas Pedaladas com sua Nova Fixa!!!

By MarchaFixa

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Como Identificar a Furação de Sua Coroa ou Pedivela

Observei em algumas bicicletarias que muitas vezes os vendedores (!!!) não sabem identificar a furação de um pedivela ou coroa, caso ela não esteja escrita ou estampada na peça. No pedivela nunca vem estampada essa informação, mas, às vezes isso vem estampado em algumas coroas. Se os vendedores não sabem, imagine o cliente.

Atualmente, com o crescimento do comercio via internet ( existem muitas lojas virtuais que vendem componentes de bicicleta) faz-se necessário saber como medir a furação para evitar dissabores no pós compra.

Para identificar a furação: meça a distância (“x”) em milímetros entre dois furos adjacentes da coroa (centro a centro) conforme mostrada na figura abaixo e confira na tabela fornecida. Sheldon Brown, o guru, desenvolveu outra maneira que é medir a distância “X” conforme figura abaixo e multiplicar por 1,7x quando a coroa for de 5 furos. No caso dela ter 4 furos o multiplicador é 1,41x.  Essa maneira é muito útil quando você não tem a tabela por perto. O significado de BCD – Bolt Circle Diameter, é Diâmetro do Circulo da Furação.  

Ressalte-se que os fabricantes de componentes para bicicletas procuram ter sempre um padrão só seu, pois assim eles garantem uma boa participação no mercado de reposição das coroas.

A Shimano e a maioria dos fabricantes japoneses (Sakae, Sugino etc) adotou o padrão 130mm (BCD) e com 5 furos para bicicletas de estrada; e 110mm e com 5 furos para os pedivelas compactos.

No caso das MTBs, no passado o padrão era 110mm (BCD) com 5 furos, e hoje a Shimano adotou a furação de 104mm (BCD) com 4 furos. Essa furação de 110mm (BCD) e com 5 furos, também é utilizada nas bikes BMX.

Os fabricantes de pedivelas de Taiwan, também seguem o padrão estabelecido pela Shimano (maior fabricante mundial de grupos de componentes para bicicletas MTB e speed). O mesmo aconteceu com a SRAM fabricante americano de grupo de componentes para MTB e speed.

Na Europa temos a Campagnolo (terceiro maior fabricante, mas o mais prestigioso para bicicletas de speed) e a Miche adotaram o padrão de 135mm (BCD) com 5 furos e 110mm (BCD) com 5 furos para os pedivelas compactos. Observe que os pedivelas compactos da Campagnolo que utilizam o movimento central  ultra-torque, só podem usar as coroas fabricadas pela própria Campagnolo (desenho proprietário).

Os pedivelas específicos para velódromo tem como padrão a furação 144mm (BCD) com 5 furos, dados que os três grandes desse segmento o adotaram: Campagnolo (Record Pista), Shimano (Dura Ace Track) e a Sugino (Sugino 75 e Grand Mighty). Os pedivelas de pista da Shimano e Sugino são os aprovados pela NJS para corridas keirin.

Na Europa existem dois fabricantes que produzem boas coroas para reposição que são a Stronglight (francesa) e a Gebhardt (tcheca), e as fabricam tanto para pedivelas de estrada, MTB ou pista. Existem outras marcas européias que terceirizaram na Ásia a fabricação de coroas, as quais são vendidas com suas marcas nos mercados desenvolvidos.
Use a distancia (x) para encontrar a furação (BCD) do seu pedivela ou coroa na tabela abaixo:
 

Mediçao da Distancia Entre Furos Adjacentes

Distancia (x)
BCD
coroas com 5 furos
34.3mm
58mm
43.5mm
74mm
55.4mm
94mm
64.7mm
110mm
71.5mm
122mm
76.4mm
130mm
79.5mm
135mm
84.6mm
144mm
coroas com 4 furos (MTB)
41.0mm
58mm
45.3mm
64mm
48.1mm
68mm
73.6mm
104mm
79.2mm
112mm





























By MarchaFixa

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Como Montar Uma Bicicleta Fixa do Zero

No texto abaixo vou descrever os principais passos para montar uma bike fixa do zero. 

Antes de começar leia o post : "Os Mitos Sobre Bikes Fixas" que visa refutar idéias tendenciosas fruto de pretensos "gurus" que adoram pontificar sem atentar para os fatos e evidências empiricas; ou ainda que colocam a "forma" (estética) antes da "função" fazendo com que o futuro fixeiro corra riscos desnecessários ou gaste dinheiro em coisas irrelevantes ou superfluas.

Inicialmente consiga um quadro que sirva para você e que tenha de preferência gancheiras horizontais (de pista ou speed) ou semi-horizontais e se possível movimento central com rosca inglesa (1.37" x 24 TPI). Caso contrário, você terá que utilizar algumas das alternativas examinadas na postagem: “Bike Fixa com Quadro de Gancheira Vertical: Quatro Opções para Tensionar a Corrente”

Qual a razão desses dois requisitos?  1) a gancheira horizontal permite que a corrente seja tensionada, o que é fundamental para evitar a queda da corrente e a ocorrência de acidentes sérios; 2) o movimento central (MC) com rosca inglesa (1.37" x 24 TPI) é fácil e barato de encontrar / comprar e você vai precisar de um MC com eixo curto de preferência com 103mm, 107mm ou 110mm para ter uma boa linha de corrente.

Quadro de Speed com Gancheira Horizontal
Quadro de Fixa com Gancheira Horizontal

Gancheira Semi-Vertical (funciona (?) com half-link)


Obviamente, um quadro italiano de cromoly com gancheiras horizontais (seja de estrada ou pista) não está descartado, eles dão uma excelente fixa também, mas existe menos oferta de movimento central com rosca italiana (36 x 24 TPI) no mercado local. Por outro lado, a internet facilitou muito a busca desse componente, que não é volumoso e pode ser adquirido facilmente no exterior.

O quadro mais popular no Brasil, isto é – mais utilizado para ser montada uma fixa é o da Caloi 10 antiga, que tem gancheira horizontal (semelhante a da foto da Mercier acima) e o MC com rosca inglesa. Mas não descarte as Peugeots, Caloi Cruiser, MTBs antigas que vinham com gancheiras horizontais. As Monark 10 tem gancheira horizontal, mas utiliza pedivela monobloco que requer adaptaçoes para virar fixa.

O segundo item mais importante da fixa, depois do quadro adequado, é a escolha do cubo traseiro onde será colocado um pinhão fixo. No post do blog: “As Diversas Opções de Cubos Traseiros para Montar uma Bike Fixa” são examinadas as diversas alternativas de cubos traseiros para fixas.

Basicamente existem duas alternativas que são mais utilizadas no Brasil: 1) o cubo tradicional de fixa (pista) com lockring e flip/flop (de um lado vai o pinhão fixo e no outro uma catraca /roda-livre de uma velocidade); ou 2) um cubo de disco dianteiro no qual é trocado o eixo, e é parafusado um pinhão no lugar do disco de freio. Esse processo de conversão é descrito neste post: "Como Converter Cubo de Disco em Cubo de Fixa". No post “Pinhão com Lockring vs. Pinhão Parafusado”, faço uma análise comparativa dessas duas opções. Atualmente, existe uma terceira opção: 3) cubo de rosca ou cubo de fixa espanado com flange alta que podem ser convertidos para pinhão parafusado conforme explicado no post "Como Ressuscitar um Cubo de Fixa Espanado", AQUI.  

No post "Arquimedes e o Cubo com Pinhão Parafusado: A Melhor Opção em Custo X Diversão X Durabilidade" demonstramos por que o cubo de disco convertido é a melhor opção.

Cubo Dianteiro de Disco Convertido p/ Usar Pinhão Parafusado
Cubo de Fixa ("pista") Flip/Flop Tradicional


Caso você opte por um cubo tradicional de fixa (vulgo "pista") (da Formula, por exemplo - o da foto acima é da marca IRO, mas é fabricado pela Formula), sugiro que você troque a contra-porca (Lockring), pois as que vêm nesses cubos deixam muito a desejar. Os melhores lockrings (rosca inglesa – 1.29” x 24 TPI) são fabricados pela: Surly, Dura Ace e Wheels Manufacturing; mas são difíceis de achar no mercado local. Lembre-se que o cubo tradicional de fixa não aguenta os SKIDS veja este post: "A Grande Mentira: Cubos de Fixa/Pista Tradicionais NÃO ESPANAM!!! .


Atente para o espaçamento entre gancheiras do quadro para escolher um cubo com comprimento de eixo adequado.


O comprimento do eixo sólido do cubo traseiro vai depender do espaço entre as gancheiras:

Gancheiras                        Compr. Eixo
110mm (pista antiga)                155mm
120mm (pista)                           164mm
126mm (speed antiga)               170mm
130mm (speed/MTB antiga)      174mm
135mm (MTB)                            180mm

Na seqüência, você precisa escolher um pedivela com uma única coroa e um movimento central compatível. Ambos precisam ser curtos. Um pedivela curto (idealmente com 165mm) minimiza a possibilidade do pedal bater no chão e você levar um tombo. Lembre-se que na bike fixa ou de pista você nunca para de pedalar quando a roda traseira está rodando; ao contrario da bike de speed , MTB ou singlespeed, nas quais é possível parar de pedalar caso voce queira. Ressalte-se que o pedivela pode ser de estrada, de pista, de fixa, de BMX, de MTB etc.; o importante é que seja curto.

O movimento central com o eixo curto (103mm, 107mm ou 110mm) faz com que a coroa do pedivela fique mais próxima do quadro e com isso tem-se uma melhor linha da corrente, diminuindo a possibilidade dela cair ou desengrenar. Entretanto, observe se com um MC curto o pedivela/coroa não vai bater/roçar no tubo da corrente (chainstay).

Devido a importancia da linha da corrente para uma fixa, elaboramos um artigo específico sobre o assunto, aqui, cujo titulo é: Como Medir a Linha da Corrente da sua Bike Fixa. Sugerimos que você leia esse post.

Use no máximo um pedivela com comprimento de 170mm (um modelo popular nessa medida é o Sugino para BMX). A exceção ocorre se o quadro é de MTB com gancheiras horizontais e você pretende utilizar nele rodas 700c (padrão de speed), que nesse caso pedivelas com até 175mm, podem ser usados sem susto.


Em minha opinião, o ideal para a fixa urbana é um pedivela com 165mm, a exceção como mencionamos acima são os quadros de MTB com rodas 700c. Existe também a possibilidade de re-aproveitar pedivelas antigos de MTB, os quais foram objetos do seguinte post: “Convertendo Pedivela Triplos de MTB em Pedivela para Bike Fixa”

Escolha uma relação de coroa x pinhão para sua fixa. Aqui existe um aspecto que precisa ser considerado, a fixa vai ter freios ou não ? Caso você pretenda usar freios, você não precisa se preocupar com “skid patches” da relação utilizada. Caso contrario, isso é importante para garantir um desgaste mais uniforme dos pneus provocado pelos skids.

A relação coroa x pinhão mais adequada irá depender principalmente da topografia da região que você pretende pedalar. Além disso, no começo é melhor utilizar uma relação mais leve, pois na fixa são utilizados alguns músculos que comumente não o são quando se pedala uma bike de speed ou MTB.

É difícil fazer uma recomendação sobre a relação coroa x pinhão mais adequada, dada à variedade de fatores que devem ser considerados: topografia, utilização da bike (lazer, meio de transporte etc.), condicionamento físico do ciclista etc., ou seja, o contexto varia de ciclista para ciclista. Uma dica é observar qual a relação mais utilizada pelos outros fixeiros que pedalam na tua região e conversar com eles a esse respeito.

Neste site você pode simular as diversas relações coroa x pinhão que tem o mesmo "Gear Ratio", ou seja as suas equivalências. Por exemplo, a relação 44 x 17 com roda traseira que tem pneu 700x25 é igual a 46 x 18  ou 52 x 20, também utilizando o mesmo pneu. Além disso, você obtem nessa simulação o número de "skid patches" da relação escolhida.

Calculo da Equivalências da Relaçao Coroa x Pinhao ("Gear Ratio")
  
 
Uma relação muito popular para pedalar na cidade de São Paulo é 44x17, talvez porque a maioria utiliza o pedivela Sugino para BMX que vem com uma coroa de 44 dentes. O pinhão de 17 dentes, por outro lado, propicia 17 “skid patches” que permitem que o pneu dure mais, o que é muito bom quando se roda sem freios. Uma relação 44x17 tem um “Gear Ratio” de 69 polegadas (com roda de speed: 700c), que está para uma relação média para baixa. Essa relação é leve para pedalar em relevo plano (avenidas a beira-mar etc.), mas pesada para pedalar em terreno com muitas subidas. 

Na figura abaixo tem uma tabela onde mostra o "Gear Ratio" para cada par de coroa x pinhão, e a fórmula do "Gear Ratio" é a seguinte (roda 700c) = Número de dentes coroa dividido pelo Número de dentes do pinhão multiplicado por 27" (diametro da roda).

Tabela do "Gear Ratio"
 

A corrente a ser utilizada irá depender da espessura da coroa e do pinhão fixo. Atualmente os pinhões e coroas são fabricados com duas espessuras: 3/32”, que são  compatíveis com corrente fina (3/32”) ou grossa (1/8”). Os pinhões/coroas com espessura de 1/8”  só funcionam com corrente grossa de 1/8”, mas os de 3/32” são compatíveis com qualquer corrente. Infelizmente não se encontra no mercado local as correntes finas (3/32”) para competições de BMX fabricadas pela KMC, modelo Z610HX, que são leves e muito resistentes e não custam mais que uma corrente grossa. Uma segunda opção é a KMC High Value, com 1/8" (grossa), que tem uma boa relação custo/beneficio. Outro modelo de corrente (grossa - 1/8") da KMC muito utilizado em fixas é a K710 também conhecida como "Kool Chain". Ressalte-se que nada impede de voce usar uma corrente de speed para marchas 7. 8 ou 9 velocidades, caso o seu pinhão e coroa sejam finos (espessura 3/32"). É um mito dizer que fixa precisa utilizar corrente grossa (1/8"), e isso é abordado no tópico: 8) Fixas devem usar sómente corrente grossa (1/8”) do post: Os Mitos sobre as Bikes Fixas. Entretanto alguns preferem usar a corrente grossa por razões psicológicas: "é mais robusta"; "não vai quebrar" etc.

Você precisa decidir se vai utilizar um pedal tipo Look ou Shimano SPD etc. (clipless), ou o pedal plataforma tradicional com firma-pé.  É importante usar pedal clipless ou um com firma-pé para evitar perder o controle dos pedais/pedivela. A perda de controle dos pedais (que nunca param de girar numa fixa, caso a roda traseira também esteja) pode provocar hematomas nas pernas ou provocar um acidente.

Instale pelo menos o freio dianteiro. Muito fixeiros não utilizam freios em suas fixas, preferem brecar usando o pedal. Entretanto, é bom ressaltar que rua não é velódromo. As ruas estão cheias de obstáculos que se movimentam (transeuntes, motoqueiros, carros etc.) e que às vezes são imprevisíveis. Antes descartar o freio, leia o seguinte post: “As Sete Regras das Fixas, mas Bike Fixa tem Regras???”.

Um aspecto importante é que os aros devem ser compatíveis com as pinças de freio / garfo.  Esse problema ocorre quando se usa aro 700c em garfo que tem freio e tamanho para acomodar aros 27”. Esse é o caso da Caloi 10, que nesse caso as pinças não alcançam a borda do aro 700c (622mm), que é menor que um de 27” (630mm) que é a medida do aro original da Caloi 10. A Vzan, um fabricante brasileiro de aros, produz os aros C-10 (tamanho 27") destinados às Caloi 10. O principal inconveniente do aro 27" é que existem poucas opções de pneus, ao contrario do aro 700c que tem muitas. Consequentemente muitos ciclistas preferem utilizar aros 700c e colocar um freio com pinças mais longas ou colocar um garfo compativel com aro 700c no lugar do original da Caloi 10.


O aro (tamanho 700c - padrão de bike speed, são os mais usados nas fixas urbanas) como os pneus vão do gosto pessoal de cada um. O tipo de aros mais populares são aqueles com perfil aero, tais como: Vzan Spin, Velocity Deep "V", Mavic CXP 33, Weinmann DP18 etc. Entretanto, isso não impede de voce usar aros com perfil baixo - que tem um ar de tubular de priscas eras, tais como: Mavic MA3, H+Son TB14 etc. Quanto aos pneus, voce pode usar o que achar mais adequado para pedalar nas ruas, e a preferencia, por causa do conforto, são os com medida 700x25 ou 700x28. E' importante comentar que alguns quadros de pista destinados`as competições no velodromo, o garfo somente tem espaço para pneus com tamanho maximo 700x23. Caso voce queira dar skids, é melhor usar pneus mais robustos para que eles durem mais, tais como o Vittoria Randonneur.

Os demais componentes são os mesmos utilizados em bikes de speed, BMX, singlespeed ou MTB, e ficam a critério do ciclista. A bike fixa difere das demais, somente no conjunto da transmissão: cubo traseiro, pinhão fixo, pedivela e movimento central.

Sugiro que leiam o post sobre "Guidões e Mesas para Bikes Fixas Urbanas" , onde comento sobre a adequação desses componentes para uso urbano, nas ruas.

A montagem da bike fixa é relativamente simples: enraiar as duas rodas (sem "chapéu chinês"); instalar o movimento central/pedivela; instalar a caixa de direção no quadro/garfo; tarefas, em geral, executadas por uma bicicletaria, pois requerem ferramentas especificas. O resto pode ser feito por você com ferramentas mais simples (chaves allen, quebra-corrente etc.).

Caso você queira utilizar raios mais elaborados (DT Swiss, Wheelsmith or Sapim) na montagem das rodas, sugiro que calcule o comprimento necessàrio dos raios utilizando o software da Sapim (fabricante belga de raios de alta qualidade), aqui. Outra alternativa é este aqui da Bike School, neste link aqui. No qual basta inserir as medidas do aro, do cubo e o numero de raios que se cruzam, para ele informar o tamanho dos raios necessários para cada roda individualmente.

Caso tenha optado por um cubo de fixa tradicional (pinhão com lockring), nas primeiras voltas com a bike não dê skids, isto é parar a bike travando os pedais/pedivelas. Volte para casa e re-aperte o lockring, isso diminui as chances do cubo espanar com skids.

Preparamos também um check-list das peças necessárias para montar a sua fixa, o qual está neste post: “BIKE FIXA Check-List para MONTAGEM, e que também serve de guia para você fazer um orçamento do custo da bike pronta. No post "A Minha Caloi 12 Convertida em Fixa (Reciclada)" AQUI, no qual descrevo os componentes utilizados nessa montagem e as reciclagens para manter baixos os custos da fixa.


Existem outros posts no blog que estão relacionados com a montagem de uma fixa partindo do zero, como por exemplo: A Conversão de uma MTB Peugeot em Fixa com Rodas 700c (Estrada)”. O detalhamento completo das peças utilizadas na montagem dessa Peugeot estão neste post:"Bike Check: Peugeot MTB FIXA da Nanda e também têm este outro  post: "Bike Check: Bianchi Ocelot Fixa" .

No site http://www.fixiestudio.com/ você poderá simular aproximadamente como sua nova fixa irá ficar, com opçoes de cor, altura do canote, tipo de selim, tipo de guidao (pista, bullhorn ou riser de MTB) etc. Existe um outro site que só foca nas cores de sua fixa, assim voce pode ver como ela ficaria com os componentes pintados de diversas cores, o link está aqui.


Neste post mais recente (2012) é feita uma comparação entre montar uma fixa básica do zero ou comprar uma pronta. O custo de montar usando um quadro Caloi 10 está ao redor de R$ 1.000,00 enquanto que uma pronta básica custa entre R$ 700,00 a R$ 990,00. Leia e tire suas conclusões.


Divirta-se com a nova fixa.

By MarchaFixa