Bianchi Ocelot MTB Fixa (pinhão Surly Dingle 21x17 e a altura do mov.central é 29cm)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Bike Check: Airborne Zeppelin Fixa (titânio)

Esse quadro de speed foi convertido em fixa para explorar o conforto do titânio nas ruas de São Paulo. Ele rodou menos de 500 kms como bicicleta de marchas. Como fixa não há o que reclamar, melhor é impossível, leve e confortável.

Airborne Zeppelin Fixa

Esse quadro possui gancheiras verticais, então para ser convertido em fixa existem três alternativas: 1) “Magic Gear”; e 2) movimento central excêntrico; 3) cubo excêntrico. As diversas alternativas de como tensionar a corrente em um quadro com gancheiras verticais são abordados neste post: “Bike Fixa com Quadro de Gancheira Vertical: Quatro Opções para Tensionar a Corrente” . Recentemente surgiu uma outra laternativa que é o eixo excentrico da FixKin (Euro$ 22.00 + frete) para cubo de disco dianteiro da Shimano (Deore, Deore XT), vejam a foto abaixo. Essa alternativa é muito mais em conta que o cubo excentrico ENO da White Industries.

Eixo Excentrico FixKin p/ Cubo de Disco Shimano

Cubo de Disco Shimano com Eixo Excentrico



A primeira alternativa, “magic gear”, tem um inconveniente, a relação coroa X pinhão não pode ser mudada. A segunda alternativa tem o mesmo custo da terceira, mas oferece menos flexibilidade quanto ao tipo de pedivela e é mais complicado caso queira usar o sistema em outra bike com gancheiras verticais. E a terceira tem um custo que não é baixo, ao redor de US$ 200.00 . No Fixed Gear Gallery existe uma fixa similar a esta em que foi aplicada o “Magic Gear”, cujo link está aqui.

Airborne Fixa - Phil Chadwick

Abaixo o dono (Phil Chadwick) dessa Airborne de titânio conta como ele aplicou “Magic Gear” nela e a transformou em uma fixa:

“Nunca vi um (quadro) desses fixo - e eu não tinha planos para!


Mas a Bike Superstore local tinha um quadro que estava encalhado há alguns anos, modelo antigo, com tubo frontal de 1" (garfo standard), e eles estavam vendendo muito barato. Realmente barato. Estava tão barato que eu não pude resistir, especialmente depois que eu barganhei um desconto adicional de 10%.

Ele tem gancheira vertical. Eu poderia ter optado pelo cubo excêntrico, mas eu decidi tentar a abordagem do “Magic Gear”. Em parte, porque esta ia ser uma bike fixa de baixo custo, (eu nunca pretendia comprá-la ...) e em parte porque eu estava interessado em tentar usar o “Magic Gear”.

Tenho uma vasta gama de coroas velhas e pinhões, e eu comecei com 44x17 como o meu alvo. Que não funcionou, mas a partir disso eu achei que 42x16 funcionaria - e funcionou, mas apenas usando uma corrente rodada por algumas centenas de milhas (Obs.: A corrente estava laceada). Uma simples fixa. Sem problemas. Isso não ia ser uma fixa para grandes quilometragens.

Eu consegui um garfo de carbono barato com espiga de 1” polegada (25.4mm), coloquei um canote barato, guidão Profile Design Airwing e fita para guidão com gel. O resto dos componentes veio da minha caixa de peças sobressalentes - até mesmo as rodas: um par muito bonito de cubos pretos da Goldtec montados em aros Mavic Open Pro que foram comprados para o quadro Chester Matt (titânio) e que rapidamente foi feito um upgrade, na traseira um cubo Royce e na frente um cubo Schmidt.

Dois freios. Sim, dois. Pensei colocar apenas um, mas eu não quero limitar o meu uso desta bike - que foi concebida como bicicleta de verão / rápida / uso diário / randonee  (audax) - e há vários “audaxs” no Reino Unido, onde dois freios são uma coisa boa. Depois que as fotos foram tiradas, eu mesmo adicionei ”SKS Raceblades” (pára-lamas), portanto não há realmente nenhuma desculpa para não usá-los.

Ela anda como um sonho. Rápida e confortável, mesmo ela estando com pneus 700 x 23 mm. Os pneus de 23 mm são grandes, mas o garfo e quadro ajudam a suavizar a vibração provocada pelas irregularidades da estrada e é menos impactante do que pedalar na outra bike – uma On-One - com pneus (gordos) balão”.

Vista da Transmissão - Airborne (Phil)

Na descrição acima do Phil Chadwick temos a alternativa mais econômica, mas com menos flexibilidade; na outra temos um custo mais alto, mas também mais flexibilidade. Qual a melhor escolha? Isso vai depender do contexto de cada um, não existe uma resposta que seja correta para todas as situações. Se você quer mais flexibilidade na relação, então o cubo excêntrico é melhor, mas se o foco é economizar, então é o caso de usar o “Magic Gear”. No website WWW.63xc.com foi efetuada uma resenha do cubo excêntrico Eno da White Industries aqui.

Componentes da Airborne Zeppelin

Quadro: Airborne Zeppelin 2004 em titânio (de speed/estrada) – 1.450 gramas;

Garfo: AlphaQ Carbono / Titanium (espiga) standard 25.4mm com rosca; “rake” 42 mm – para speed, com 450 gramas;

Buchas de Reduçao do Tubo Frontal: Wheels Manufacturing Co.

Selim: Brooks Professional;

Canote: Campagnolo Chorus Titânio – 27.2mm;

Aros: Mavic Open 4CD Ceramic;

Raios: DT Competition (DB);

Pneus: Vittoria Rubino / Bontrager 700 x 25;

Guidão: Azonic Double Wall "riser" (é de MTB, foi cortado para 48cm, em alumínio, mas foi anodizado na cor de titânio);

Manoplas: Electra Comfort Kraton Grips;

Mesa: Litespeed Titanium;

Cubo Traseiro de Fixa: ENO Eccentric (flip/flop) 130mm com parafusos allen – White Industries;

Cubo Dianteiro: DMR Revolver (p/ BMX) com parafusos allen;

Pedivela:  Mavic 631 “Starfish” (130 mm BCD) – 165 mm, não tem parafusos  aparentes;

Parafusos (2) do Pedivela: Royce (em inox);

Coroa: CODA (Cannondale) 44T;

Pinhão: ENO de encaixe em INOX 3/32” – 18T, White Industries;

Lockring: Surly;

Roda-Livre: ENO Trials 18T (3/32”) – White Industries;

Corrente: KMC Z610HX – 3/32” (corrente fina p/ BMX de Competição);

Pedal: Suntour Superbe Pro;

Firma-pé : MKS (certificado NJS);

Correias do firma-pé: Campagnolo;

Movimento Central: Campagnolo Chorus 111mm (foi substituido por um Edco Competition (suiço) com 107mm - que deixou perfeita a linha da corrente);

Caixa de Direção: Zeus Pista (standard com rosca);

Espaçadores da Caixa de Direção: Titânio;

Freio Dianteiro: Specialized (retirado de uma Tarmac);

Manete de Freio: DiaCompe MX-99 (p/ BMX).

Ressalte-se que praticamente nenhum dos componentes foi fabricado originalmente para uso na pista/velódromo. As exceções são: o firma-pé MKS (keirin NJS) e a caixa de direção Zeus (que 20 anos atrás era usada em bike de pista de competição).

Efetuamos alguns "up-grades" (Fev/2013): o guidão é um bullhorn da Fixation modelo Rodeo; a mesa é uma Sakae polida com 90 graus e 100mm de comprimento; o manete de freio é Dia Compe Dirty Harry; o freio é Shimano Ultegra BR-6500. 

Airborne Zeppelin Fixa c/ Bullhorn

Detalhe Rodeo Bullhorn + Mesa sakae + Freio Ultegra


Detalhe Rodeo Bullhorn + Mesa sakae + Freio Ultegra+ Manete Dirt Harry




Caixa de Direçao Zeus + Espaçadores de Titânio



Além disso, essa fixa não tem nenhum componente “Xing Ling Pistês” que são o xodó dos “intendidus de coritibúúú”, pois fixas sem esse tipo de componentes são inaceitáveis em “coritibúúú”. Os “pisteiros" fajutos de “coritibúúú”  dizem que uma fixa precisa ter componentes de pista/velódromo, caso contrário a fixa é um “lixo” ; opinião que discordamos e que não tem nenhum fundamento racional / ou respaldo na realidade prática.

Lembrando que componentes de pista/velódromo não foram feitos para agüentar o tranco das trilhas que a prefeitura chama de ruas, e usá-los nas ruas constitui-se numa gambiarra (Nota: Componentes de pista/velódromo da Campagnolo, se usados nas ruas perdem a garantia, vide este link   aqui – site do Sheldon Brown).

Diga-se de passagem, que os “intendidus de coritibúúú” não sabem distinguir exatamente o que são componentes de pista/velódromo e o que são componentes de fixa, conforme mostramos no post: Os “intendidus de coritibúúú” e as Bikes Fixa / “Fake Pista” E “Pure” Pista .

Abaixo mostramos uma tabela de geometrias de fixas, pista e estrada para contextualizar a geometria da Airborne Zeppelin.

Tabela Comparativa das Geometrias 

Examinando a geometria da Airborne Zeppelin e comparando-a com outros quadros de fixa, estrada e pista ficam evidentes que a Linskey Fixie não passa de uma bike de estrada com gancheiras horizontais de pista.  Os ângulos da Linskey são iguais aos Airborne, e o “drop” do movimento central é 5 mm mais curto, ou seja 65 mmm VS. 70mm, o que é muito pouca diferença. Ressalte-se que quadros de fixa em titânio custam ao redor de US$ 1,500.00 sem o garfo, mas os sob medida atingem mais de US$ 3,000.00.

A montagem dessa fixa teve uma única preocupação que foi explorar ao máximo o conforto proporcionado pelo titânio, e por isso a opção por um garfo de carbono com espiga de titânio, guidão “riser”, uma mesa de titânio com um pequeno “riser”, pneus 700 x 25 e selim Brooks. Para ficar mais coerente com o resto da bike, o selim Brooks deveria ter os trilhos em titânio, porém esses modelos da Brooks com titânio são absurdamente caros para uma pequena redução de peso (menos 150 gramas).

Originalmente ela foi montada com um garfo de carbono “full”, entretanto surgiu a oportunidade de adquirir esse garfo de carbono com espiga de titânio para deixá-la mais clássica. Lembrando que nos anos 90 os quadros de titânio da Litespeed eram para garfos standard (25.4mm) com rosca. Entretanto, isso criou um problema, o quadro era para garfo “oversize”, ou seja, diâmetro de 1 1/8” (= 28.6mm) e o garfo da AlphaQ tem diametro standard = 1” polegada ou 25.4mm e é para caixa de direção com rosca.  A solução foi utilizar buchas de redução do diâmetro do tubo frontal. Isso foi objeto de uma dica, a de No. 5 do post: “BIKE FIXA: Dicas, Macetes e Gambitechs” .


Garfo AlphaQ c/ Espiga de Titânio


No caso do movimento central, foi feita a tentativa de usar um de titânio, mas não ficou bom, pois não tínhamos um com inclinação (“taper”) no padrão ISO e com comprimento de eixo apropriado. Ou seja, a linha da corrente ficou prejudicada. O Campagnolo Chorus que é no padrão ISO ficou ótimo, mas isso adicionou uns 150 gramas a mais no peso da bike. O movimento central Chorus foi substituido por um Edco Competition (fabricado na Suiça) que tem 107mm e uma ótima vewdação.

Vista da Transmissão Airborne Zeppelin (pedivela Mavic "Starfish" 631)

Alguém vai pensar e se perguntar: Por que foi usado um cubo dianteiro de marca diferente do cubo traseiro? O cubo dianteiro fabricado pela White Industriesmodelo H2 é caro, pois custa US$ 130.00 na Amazon, mas é leve com 97 gramas. Por outro lado, o cubo da DMR modelo Revolver custou 1/3 do modelo H2 (da White Industries) e é muito robusto e leve (142 gramas), pois foi construído para ser usado em bikes “dirt riding”. E, além disso, ele usa 2 parafusos Allen para ser prendido na gancheira, igual ao cubo traseiro Eno.

Cubo DMR Revolver

Cubo Excêntrico ENO (pinhao de encaixe)

Foram utilizados espaçadores na coroa para que a linha da corrente dianteira ficasse na distancia correta, igual à traseira.

A roda-livre singlespeed ENO Trials é a melhor até hoje fabricada, e é feita em aço inox e têm uma boa vedação, e pode ser dada manutenção.  Uma resenha sobre a mesma pode ser lida aqui na UrbanVelo. Porém, ela ficou sem utilidade, pois essa Zeppelin sempre foi utilizada com o pinhão fixo.

Roda-Livre ENO Trials (18T)


Infelizmente, a White Industries não fabrica o cubo excêntrico ENO com furação para disco com eixo de 130 mm (estrada), mas somente com 135 mm (espaço das gancheiras de MTBs).  Caso contrario, poderia ser transformado em cubo fixo duplo (um lado com pinhão de encaixe e no outro com pinhão parafusado) para ser usado em quadros de speed.


Essa mistura de quadro titânio com garfo de carbono faz com que essa fixa seja extremamente confortável para rodar nessas ruas cheias de imperfeições (desníveis, buracos, lombadas etc.), pois absorve muito bem as vibrações, ao contrário do que ocorre com um quadro de alumínio. Vide o quadro acima onde são comparadas as propriedades dos diversos materiais utilizados na fabricação de bicicletas. A bike completa deve pesar ao redor de 8 Kgs.

O fato desta fixa convertida não ter nenhum componente de bike de pista importante /relevante como pedivela e rodas/cubos, não prejudica em nada o seu desempenho nas ruas. Ou seja, equipá-la com componentes de pista verdadeiros seria um grande desperdício de dinheiro sem nenhum beneficio tangível. Entretanto, para alguns talvez isso seja necessário para inflar o ego.


By MarchaFixa

Como Medir o “DROP” do Movimento Central da Fixa

Pouquíssimos ciclistas se preocupam com o “drop” do movimento central, exceto os que praticam ciclismo no velódromo, ou que pedalam MTB em trilhas radicais etc.

Os que pedalam fixas urbanas também deveriam prestar mais atenção nesse aspecto da geometria do quadro.  Seja o quadro de estrada convertido em fixa, ou quadro original de fixa/pista. Isso tem influência na escolha do comprimento do pedivela. Quanto mais alto o movimento central (menor o “drop” – queda), mais difícil fica o pedal bater no chão e você levar um tombo.

Ressaltando que pedalar numa fixa implica em entrar e sair pedalando de uma curva. Não existe a opção de dar uma “paradinha” na pedalada ao fazer a curva, como, às vezes, acontece com uma bike speed ou MTB. E, nas curvas e lombadas sempre há o risco do pedal bater no chão e você levar um tombo.

Esse risco do pedal bater no chão - quando o quadro é de speed e foi convertido em fixa - pode ser minimizado usando-se um pedivela mais curto, com comprimento de 165 mm.

O ideal é que o “drop” do movimento central da fixa seja de pelo menos 60 mm; pois a maioria das bikes de speed/estrada tem um “drop” de 70mm. Vide os outros posts onde é mostrada a geometria de bikes fixas, pista e estrada convertidas.

Este tópico está também nesta postagem, AQUI: “A Escolha do Quadro da Fixa: Geometria de Fixa vs. Pista vs. Estrada”. Dada a importância do assunto, resolvi fazer um post específico.

Experimente perguntar para o vendedor da loja de bicicletas: Qual o “drop” do movimento central dessa fixa? Provavelmente ele vai te olhar como você fosse um marciano, alguém de outro planeta!!!

No diagrama abaixo que mostra as principais medidas que compõe a geometria de uma bike, o “drop” (queda) do movimento central está na representado pela letra “H”.


Medir com uma trena a distancia do centro do movimento central até ao chão não é adequado, pois não te permite comparar isso com o de outros quadros / bikes. Esse dado obtido dessa maneira raramente aparece nas tabelas de geometria; e existe a variação provocada pelo tamanho do pneu. A medição feita conforme explicamos abaixo (+ correta) é a que é mostrada nas tabelas de geometria dos fabricantes. Ressalte-se que o Velódromo de Manchester (categoria olímpica) mede o "drop" de maneira mais simples, isto é: a distância do centro do movimento central até ao chão, mas especifica a marca/tamanho do pneu que pode ser - entre 700x22 até 700x25, e a distância tem de ser de pelo menos 28cm.

O tamanho da queda (“drop”) do movimento central (“bottom bracket drop”) refere-se a quanto a caixa do movimento central fica abaixo da linha (imaginária) entre os eixos da roda dianteira e traseira. Para medir a queda do movimento central (“BB drop”) basta medir a distancia do centro do eixo da roda (Nota: As duas rodas precisam ser iguais e com o mesmo tamanho de pneu.) até ao chão e depois medir a distancia do centro do eixo do movimento central ao chão. A diferença entre os dois resulta na medida do “bottom bracket drop” ou queda do movimento central.

Outro aspecto para lembrar, é que o tamanho de um quadro de fixa adequado é levemente menor do que aquele da sua bike de speed /estrada. Dado que o comprimento do tubo do selim do quadro de fixa será menor que o de speed, pois o “drop” do movimento central é menor que um quadro de estrada. Portanto outras medidas que entram em consideração, tais como: o comprimento do tubo superior e também é o “stand over height” que significa: É a medida vertical de um quadro de bicicleta a partir do ponto central (do meio) do tubo superior até ao chão.

Por exemplo, uma Caloi by Eddy Merckx tem uma distância do centro do movimento central até o chão de 26.5cm (pneus 700x25) que resulta em um BB “drop” de 70mm aproximadamente, dado que a distancia do eixo da roda até ao solo é de 33,5 cm.

Resumindo, as diferenças na geometria entre uma bike de pista e uma de estrada são grandes, pois envolve tudo: ângulos, "rake" do garfo, distancia entre-eixos, mas o mais relevante no uso urbano da bike de estrada como fixa é o “BB drop”, e para alguns o “rake” do garfo, pois isso é um dos fatores que pode causar o “overlap” sapatilha/pneu; ou seja, se o pedal/sapatilha roça no pneu ao fazer uma curva.

By MarchaFixa

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ÍNDICE

Visando facilitar a vida dos internautas, elaboramos este índice de todos os artigos publicados.

Adicionei mais algumas dicas no artigo:BIKE FIXA: Dicas, Macetes e Gambitechs , mensalmente escreverei uma ou duas dicas/macetes que estão na lista.

Os artigos mais recentes estão no topo. 


  • Julho 2011


  • Junho 2011
·            BIKE FIXA: Dicas, Macetes e Gambitechs


  • Maio 2011
·            Como Montar Uma Fixa do Zero
·             Pinhão com Lockring vs. Pinhão Parafusado


  • Abril 2011
·             Bike de Pista VS. Bike Fixa

  • Março 2011
·            Guidões & Mesas para Fixas Urbanas
·            BIKE FIXA: CHECK-LIST para MONTAGEM
·            Como Montar uma Bike Fixa de Baixo Custo


By MarchaFixa

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Como Medir a Linha da Corrente da sua Bike Fixa

A medição da linha da corrente referente ao pedivela/coroa é baseada parcialmente em uma tradução do texto do Sheldon Brown, neste link aqui e com adições e explicações adicionais feitas por mim.

Inclui umas fotos que tirei especialmente para ilustrar a descrição. E também uma ilustração da Campagnolo sobre a linha da corrente da bike de pista e que se aplicam igualmente a uma fixa.

Volto a enfatizar, uma linha da corrente alinhada é de suma importância em uma bike fixa, por três motivos: 1) corrente desalinhada desengrena / cai com mais facilidade e isso pode causar uma acidente sério e ainda mais se você anda sem freios; 2) o desalinhamento provoca o desgaste prematuro da transmissão: corrente, pinhão e da coroa; 3) a pedalada na fixa fica mais barulhenta devido ao maior atrito da corrente com o pinhão e a coroa.

Na fixa esse aspecto é mais importante do que numa bike de pista, pelo seguinte motivo: as fixas são muitas vezes produtos de uma conversão, na qual, em geral, é trocado somente o cubo traseiro e os demais componentes são re-utilizados. Ou seja, faz necessário compatibilizar uma miscelânea de peças que compõe a transmissão (cubo de fixa – tradicional ou de pinhão parafusado, pedivela de estrada e movimento central – eixo longo). Por outro lado, numa bike de pista (para uso no velódromo), por exemplo, você monta ela com o grupo Campagnolo Record de Pista completo com rodas de pista Campagnolo Ghibli – a linha da corrente vai ficar ótima, você não precisa nem medir, pois tudo foi feito para casar perfeitamente.

Padrões de Linha de Corrente: Fixa / Pista / SS
Aplicação
Dimensão
Notas
Track/Coaster Brake
Traditional One-Speed
Most internal gear hubs
40.5-42 mm
Bikes antigas com espaço entre gancheiras de 110 mm (spacing) estarão mais perto do valor menor desse intervalo.
Bikes novas com 120 mm de espaço na traseira, normalmente têm uma linha da corrente de 42 mm.
Singlespeed MTB
52 mm
Necessitam de uma linha de corrente mais ampla por causa dos “chainstays” mais largos das MTB. O cubo KISS para MTB da Phil Wood usa 52 mm.


Singlespeed MTB /
Outras
47.5 mm
 O cubo ENO - White Industries usa esse “chainline”, que alinha com a posição da coroa do meio do pedivela triplo de MTB. Isso é também bem próximo da coroa externa do pedivela duplo de estrada.
Fonte:  Sheldon Brown e Adições de Bike Fixa Brasil



A Medição da Linha da Corrente Frontal da Bike Fixa ou Pista

A linha da corrente frontal é medida a partir da linha central do quadro até ao centro dos dentes da coroa (veja o desenho da Campagnolo abaixo). A qual deverá ser comparada com a medida traseira da linha da corrente. Caso ocorra uma discrepâncias acentuada, ela deve ser corrigida.

Você pode medir a linha de corrente dianteira ou frontal diretamente com uma régua ou paquímetro. Basta colocar a régua contra o tubo do selim na altura da coroa do pedivela e medir a distância do meio dos dentes da coroa até o meio do tubo do selim. A foto abaixo é bem ilustrativa.

Medindo a Linha da Corrente Frontal

A outra maneira, que é mais precisa, tem três etapas: 1) primeiro meça a distância do meio dos dentes da coroa até a lateral do tubo do selim - por exemplo: você obteve 28 mm ; 2) a seguir meça o diâmetro do tubo do selim com um paquimetro e divida por 2 esse valor - por exemplo: 28,6mm / 2 = 14,3mm ; 3) a linha da corrente frontal será o somatório  das medidas obtidas nos dois passos anteriores, ou seja, ela terá uma medida de 42,3 mm que é bem próximo da linha da corrente padrão das bikes para velódromo e de muitas fixas que utilizam pedivela / movimento central de pista / velódromo.

       Como Ajustar a Linha da Corrente Frontal - Fixa ou Pista

Caso seja necessário ajustar a linha da corrente frontal, existem as alternativas abaixo:

1) Trocar o Movimento Central (MC)
A maioria dos MC produzidos desde meados dos anos 90 é simétrica, isto é, a porção do eixo que sai (para fora) é igual em ambos os lados. Caso você substitua o MC por um que tenha um eixo menor em 4 mm, ele irá mover em 2mm a linha da corrente para a esquerda, ou seja vai ficar mais próxima do quadro, porque esse novo MC é 2 mm mais curto em cada lado.
Se você utilizar essa alternativa para estreitar a linha da corrente, certifique-se que não haverá um problema do pedivela ou coroa roçar / bater no quadro. Esse aspecto já foi abordado no post: “A Conversão de MTB de Aço/ Cromoly em Fixa com Rodas 700c (speed).

2) Usar Espaçadores no Movimento Central
Se você precisa ampliar a linha da corrente, ou seja, mover o pedivela/coroa para direita (ou seja, distanciar do quadro), é possível adicionar um espaçador de Movimento Central que vai ficar entre o copo direito do MC e o quadro (caixa do movimento central). Ressalte-se que esses espaçadores não são facilmente encontráveis no Brasil. No post: "Adaptador SPNKpara Conversão de Cubo de Rosca em Cubo com Pinhão e Lockring" mostramos uma situação onde foi necessário usar esses espaçadores.   


Movimento Central com Espaçadores




Movimento Central com Espaçadores Montado no Quadro


3) Usar Espaçadores no Pedivela/Coroas
Você coloca espaçadores entre a coroa e as hastes (aranha) do pedivela aonde vão os parafusos que prendem a coroa.
Se a sua coroa é montada na parte externa da “aranha”, você pode movê-la para a direita desta forma. Se for montada no lado de dentro da “aranha”, você pode movê-la para a esquerda (+ perto do quadro - diminui a linha da corrente) como mostrado na foto abaixo.

Coroa Montada com Espaçadores

Os espaçadores usados são aqueles mesmos usados no eixo de 10 mm de diâmetro do cubo traseiro. Ou, você pode usar arruelas de pressão como mostrado na Dica 1 do post: “BIKE FIXA: Dicas, Macetes e Gambitechs”.

Espaçadores adequados estão disponíveis (fora do Brasil) em 1, 2 e 3 mm de espessura. Você pode precisar usar parafusos de coroa mais longos, ou seja, aqueles para pedivelas de estrada para duas coroas, especialmente se o espaçador for de 3 mm.

4) Colocar um Movimento Central Regulável
Hoje em dia existem poucos movimentos centrais reguláveis. A Miche (Itália) produz um que é de boa qualidade que faz parte do grupo de componentes para fixa / velódromo com diversos comprimentos de eixo: 107mm, 110mm e 113mm.

A Phil Wood (USA) também fabrica MCs que são reguláveis e eles têm uma excelente qualidade ( e são mais caros que a média), e em diversos comprimentos de eixo. Esses MCs também possuem a capacidade de ajustar a linha da corrente em um intervalo de alguns milímetros.

 

A Medição da Linha da Corrente Traseira de Bike Fixa ou Pista

A linha da corrente traseira é medida a partir da linha central do quadro até ao centro dos dentes do pinhão (veja o desenho da Campagnolo abaixo). A medição da linha da corrente traseira tem os seguintes passos:

1) Medir o espaçamento entre as gancheiras traseiras (frame spacing) ou medir a distancia “entre-porcas” (-over-lock-nut dimension-) do cubo, que deve ser o mesmo. (Exemplo: 120 mm (quadro de pista) ou 130 mm (quadro de estrada))

2) Dividir o resultado pela metade, que resulta na distancia da linha de centro do quadro (veja o desenho da Campagnolo) até ao lado de dentro da gancheira traseira. (Exemplo: 120 mm /2 = 60 mm (pista) ou 130 mm /2 = 65 mm (estrada))

3) Medir a distância entre o lado de dentro da gancheira traseira (ou da parte externa da contra-porca do eixo que encosta na gancheira – pelo lado de dentro) até ao meio/centro do dente do pinhão fixo. (Exemplo: 18 mm (quadro de pista) ou 23 mm (quadro de estrada convertido para fixa)).

4) Subtrair a distancia da gancheira até ao meio/centro do pinhão fixo (calculado no passo 3) (Exemplo: 18 mm (pista) ou 23 mm (estrada)) da distancia da gancheira até a linha de centro do quadro (calculado no passo 2), o resultado dessa subtração é a linha de corrente traseira. (Exemplo: 42 mm em ambos os casos (pista ou estrada)).

Para linha da corrente da fixa estar alinhada , as duas medições devem ser iguais (dianteira e traseira).




Como podemos ver na tabela acima, a diferença de distancia entre eles deve-se ao maior número de espaçadores no eixo do cubo, mas todos têm a mesma linha de corrente, isto é: a distancia do pinhão até a linha de centro é sempre a mesma, desta marca de cubo de fixa . Essa linha da corrente (42 mm) foi obtida em cima de um cubo de fixa tradicional flip/flop com pinhão/lockring da marca Kore. Um cubo de pinhão parafusado Shimano Deore XT (convertido) tem uma linha da corrente de 46 mm, segundo o site da Velosolo Bikes.

As fotos em anexo mostram a medição da distancia do lado interno da gancheira até ao centro/meio do dente do pinhão, usando um paquímetro digital. Observe que tem 2 espaçadores de 5mm de cada lado para deixar o cubo compatível com o espaçamento de uma bike de estrada (130mm= 120mm (pista) + 5mm + 5mm). Esse pinhão é um Suntour com 13 dentes que está num cubo de fixa (flip/flop) da marca Kore. As gancheiras são da Tecnociclo (Itália), as quais são usadas nos quadros da Mercian (UK) e Rivendell (USA).

Cubo Kore p/ Fixa nas Gancheiras



Medindo a Distancia do Pinhão até a Gancheira (Valor de "B")

Espaçador de 5mm em Cada Lado (= 130 mm)


Vista Lateral do Cubo / Gancheira

Ressalte-se que não é necessário um paquímetro digital para fazer a medição, ele foi usado porque a medida sai melhor nas fotos. Caso você esteja comprando um cubo de fixa, para facilitar a medição da linha de corrente do cubo, prenda uma régua (que vai fazer o papel da gancheira) com a porca e assim a medida sai mais precisa.

Como Ajustar a Linha da Corrente Traseira

Infelizmente se você usar cubos de fixa ou pista  tradicionais (pinhão com lockring) não é possível fazer ajustes na linha de corrente traseira.

Bem, existe uma maneira, que é fazer o “chapéu chinês”, mas a roda não fica tão robusta como uma na qual não tenha isso. Vai ficar meio esquisito na aparência.

Existem dois tipos de cubo de fixa em que é possível fazer ajustes na linha da corrente traseira:

1) cubo de disco convertido em fixo, no qual coloca-se arruelas entre o cubo e o pinhão, com isso aumenta-se a linha da corrente; e

2) cubo Halo Fix-G, que usa um sistema inovador, parecido com k-7 de estrada, no qual basta movimentar os espaçadores / pinhão estriado. Esse cubo foi descrito no post: “As Diversas Opções de Cubos Traseiros para Montar uma Bike Fixa “.

Resumindo, calcule primeiro a linha da corrente traseira e depois veja qual é a dianteira, para decidir o que vai ser necessário para compatibilizar a DIANTEIRA com a Traseira.

By MarchaFixa