Bianchi Ocelot MTB Fixa (pinhão Surly Dingle 21x17 e a altura do mov.central é 29cm)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Por Que NÃO Se Deve Comprar Uma Bike Fixa pela Internet / Online?


Obviamente quando surge uma novidade, em qualquer ramo de atividade, isso sempre vem acompanhado de aproveitadores – que procuram explorar a falta de conhecimento dos consumidores. Gente que gosta de surfar a onda, tentam ganhar os tubos e desaparecem. No caso das bikes fixas não é diferente. Hoje basta montar um site rastaquera para vender fixas – com qualidade similar às de super-mercados, mas com um grande diferencial – você paga o preço do modismo – quatro a cinco vezes mais !!! Tem gente vendendo fixas no Brasil com quadro de aço carbono (básico do básico) e componentes simples para não dizer xing-ling, por quase US$ 1,000.00 ou seja cerca de R$ 1.800,00.

Recentemente perguntei para um desses sites que vendem fixas no Brasil informações básicas (três dados) sobre a geometria da bike fixa que eles estavam vendendo:

- tabela da geometria, que nela constam os diversos tamanhos dos quadros das bikes – comprimento do tubo do selim, comprimento do tubo superior, “drop” do movimento central etc.

O básico para você comparar com os dados do seu “bike fit” e escolher um quadro no tamanho adequado. Um quadro no tamanho errado joga por terra qualquer prazer que você tenha em pedalar, pois no final do rolê você vai estar dolorido por causa da posição inadequada provocada por um quadro que não é o seu tamanho, é algo como andar com sapato apertado ou muito folgado!!!

Recebi uma “ótima” resposta sobre a tabela de geometria: “não temos essas informações, porém garantimos a qualidade do produto”.  Na próxima vez que eu tiver dor nas costas irei à farmácia para comprar “qualidade”, segundo esse distribuidor de fixas fajutas – “qualidade” da bike cura dor nas costas. Se a qualidade do site for "meia-boca", então como deve ser a qualidade das bikes !!! Na dúvida fuja correndo!!!

Não pensem que isso se limita ao Brasil. Ressalte-se que não encontrei em nenhum site que vende bike fixas no Brasil de marcas pouco conhecidas, uma tabela de geometria com as informações mais relevantes. No caso de marcas bem conhecidas de fixas, tipo: Specialized, Giant, Fuji, Bianchi, os sites do exterior tem as informações sobre a geometria das mesmas.

No exterior também tem sites fuleiros, vejam estes exemplos aqui:



Caso algum leitor consiga encontrar nos sites acima uma tabela de geometria completa desses fabricantes, por favor, me informe.

Por outro lado, o chinês que vende quadros de fixa no eBay oferece uma tabela de geometria completa!!! E não pensem que o quadro de cromoly chinês custa uma pequena fortuna, nada disso, é de US$ 70 a US$ 100 + frete. Assim como o site da Eightinch (aqui) que tem uma tabela de geometria completa (quase) e o quadro custa cerca de US$ 145.00 e no eBay você pode encontrar até por US$ 100. Vejamos a tabela de geometria da Eightinch, que é quase completa (falta o “rake” do garfo e o “gap” entre tubo inferior e a roda), como exemplo:

Tabela de Geometria Eightinch

Size in CM
49cm
51cm
53cm
55cm
57cm
59cm
Seat Tube Center-Top
49cm
51cm
53cm
55cm
57cm
59cm
Top Tube Actual
51.4cm
51.5cm
52cm
53.7cm
54.7cm
56cm
Top Tube Virtual
53cm
52.6cm
53.3cm
54.8cm
55.8cm
57.3cm
Chainstay Length
394mm
394mm
394mm
394mm
394mm
394mm
Head Tube Angle
74
74
74
74
74.5
75
Seat Tube Angle
76
76
75.5
75.5
75.5
75
BB Drop
55mm
55mm
55mm
55mm
55mm
55mm
Wheelbase
950.9mm
950.4mm
952.5mm
968mm
973.4mm
977.6mm
Approximate Standover Height (in inches)
29
29.5
30
31.5
32
32.5

Lembre-se de um detalhe importante é que o comprimento do pedivela deve ser compatível com o “drop” do movimento central (BB drop). Muitos dos vendedores de fixas omitem essas informações.  Caso o “drop”do movimento central seja de 65mm ou maior, então o comprimento do pedivela deve ser de 165mm. Você poderá usar um pedivela de 170mm com um “drop” de 60mm ou menor que isso. Alguns vão questionar isso, pois a grande maioria das fixas rodando no Brasil são Caloi 10 (“drop” de 70mm) e que estão usando pedivela Sugino com 170mm; e isso é verdade; mas usa-se esse pedivela de 170mm por causa da relação custo X diversão que é muito boa, e não quando você está pagando uma nota preta, pois pedivelas com 165mm são bem mais caros no mercado local. Sheldon Brown, o guru das fixas, usava nas suas fixas convertidas (ex-road) um pedivela de 165mm.


No fórum do site WWW.pedal.com.br , aqui - um membro listou as marcas de bike fixas pouco conhecidas mas disponíveis no Brasil: Kombat, Viking-X, Totem, Create, Hype Bike (Retrospect), State Co.


No site da State Co. (aqui) tem uma tabela da geometria, mas ela está incompleta!!! Falta informar qual o “drop” do movimento central!!! Entretanto eles informam que o pedivela é de 170mm.

 

Os demais aspectos da geometria do quadro de fixa são abordados nestes posts do blog: A Escolha do Quadro da Fixa: Geometria de Fixa vs. Pista vs. Estrada” e “Como Medir o “DROP” do Movimento Central da Fixa”.


Em minha opinião eu não recomendo a compra de bikes ou quadros de fixas que tenham um grande “drop” de movimento central, pois neste caso o ciclista está comprando um quadro com gancheiras horizontais de pista e pagando caro para ter o que não passa de um quadro de speedy convertido em fixa. Neste caso, uma Caloi 10 faz muito mais sentido.

Não tenho nada contra alguém comprar alguma das marcas mencionadas acima, e sim comprar uma fixa sem informações suficientes que garantam que o tamanho do quadro é adequado ao "bike fit" do ciclista e que o conjunto de peças (comprimento do pedivela x “drop” do movimento central) seja proporcional ao tipo de quadro.

Em dúvida, evite os sites fuleiros (sem o mínimo de informações) da internet e vá comprar em uma loja física. Na loja você poderá medir o “drop” do movimento central, saber se o comprimento do pedivela é adequado em função do "drop" do movimento central e se o tamanho da bike é adequado para você e talvez fazer um teste drive. 

Outro risco nas compras de bikes e peças no exterior são os sites que fraudam, portanto sugiro que verifiquem os sites estrangeiros usando as informações daqui: http://www.scamadviser.com/check-website/.


Boas Compras à Todos

By MarchaFixa

segunda-feira, 28 de maio de 2012

As Roscas das Bikes Fixas e Correlatas


A indústria de bicicletas tem uma longa história de usar muitos padrões diferentes de rosca. Ambos os tipos de roscas - polegadas (imperial) e métrica - estão em uso. E muito disso é devido a tentativa dos fabricantes de componentes de criar de certa forma um reserva de mercado. 

 

Algumas roscas são quase que exclusivamente usadas na indústria de bicicletas, e as implicações disso são no caso de você perder um parafuso especial de um componente, existem três soluções: 1) comprar do fabricante da peça o parafuso de reposição; 2) canibalizar uma peça antiga; ou 3) comprar um componente completo novo para substituir!!! 

 

Abaixo é uma tabela de alguns dos passos de roscas e diâmetros e as suas utilizações mais corriqueiras. Esta tabela não pretende ser completa e exaustiva. É aconselhável sempre medir o diâmetro e o passo, para identificar corretamente a rosca.





Fonte: Bike Fixa Brasil e Park Tool - http://www.parktool.com/blog/repair-help/basic-thread-concepts

Neste link AQUI tem uma cópia em PDF dessa tabela acima.


Relacionado com este artigo existe um post especifico sobre as roscas dos eixos para cubo de fixa AQUI:  "MEDIDAS DOS EIXOS PARA CONVERSÕES DE CUBOS EM FIXOS".


Além disso existe um post específico sobre movimentos centrais, comprimentos de eixo e a intercambialidade entre padrão JIS e ISO, AQUI : "Movimento Central e Pedivelas com Padrão JIS ou ISO".


Boas Pedaladas a Todos.


By MarchaFixa

Como Parar (c/Skids) Uma Bike Fixa

Fixas são lindas, leves e rápidas. Se não tiver freio então, fica mais linda ainda, sem nenhum cabo ou manete.

 

Mas a primeira coisa que qualquer sujeito com um mínimo de noção se pergunta antes de subir numa é: comé que pára essa porra?

 

 

A-Ha! E é ai que começa a brincadeira. Pra conseguir sobreviver e se divertir, você vai precisar aprender algumas técnicas, que no fundo são bem simples.

 

 

Pensando nisso, o pessoal criou um aqui traduzido por quem não tem o que fazer…

 

 

O que você vai precisar:

a) Fixed gear bike;

b) Pedais com firma-pé ou taquinho;

c) Capacete e joelheiras e cotoveleiras (só para treinar);

d) Cones de trânsito e/ou marcadores de rua.

 

 

Step 1: Encontre um lugar seguro para pratica


Sempre escolha um lugar aberto e inabitado. Photo by Bindanaku on Flickr.

 

Bikes couriers se popularizaram usando fixed gear (ou “fixie”), mas o último lugar que você vai querer praticar é no tráfico pesado. Novatos devem encontrar locais abertos e seguros pra praticar suas manobras (e cair).

 

Use pelo menos o freio da frente até se sentir confortável para frear sem ele (mesmo ele ainda estando na bike). Lembre-se que é quase impossível antecipar uma freada de emergência.

 

Estacionamentos abandonados e quadras de futebol são os melhores locais para praticar. Mais importante, tente sempre usar os equipamentos de segurança.

 

Step 2: Antecipe suas paradas

 

Frear uma fixie é mais complicado que uma bike normal, você precisará ficar muito mais atento às suas imediações e até antecipar possíveis mudanças no tráfico à sua volta. Redobre sua atenção também para o solo em busca de poças de óleo, lixo, latas ou outras coisas no caminho (mais informações, pergunte pro Ricardo Bruns), assim você verá que fica mais fácil e seguro andar no trânsito. Quando estiver treinando paradas, especifique um ponto onde deseja parar, com um cone ou uma marca. Marque uma região de segurança para suas paradas, você deverá praticar paradas rápidas (ou até skidar desviando de obstáculos).

 

Step 3: Escolha seu método de freiada

 

Apesar do perigo, existem boas notícias. Quando se trata de diminuir a velocidade, ciclistas de fixas têm algumas opções. Cada uma com seus prós e contras (mesmo pedalando em condições ideais), então é bom aprender alguns métodos. Os dois mais comuns são:

 

- Pedalada controlada

Diminuir a velocidade da pedalada é a maneira mais fácil de parar um fixa. Como a rotação da roda de trás está diretamente conectada com os pedais, diminuindo lentamente as pedaladas fará com que a bike diminua sua velocidade. Em uma situação de não emergência isso fará com que você consiga uma parada natural e macia – com tempo/distancia permitidos é claro.

 

- Skid Stopping

 

A combinação de travar o pedal e pender o dorpo para frente exigirá algum trabalho. Photo by Faster panda kill kill on Flickr.

 

Se seu sobrenome é “perigoso” (ou “veloz”)? Então Skid stop é mais sua praia. O processo começa com o posicionamento do corpo para frente para tirar o peso da roda de trás. Se você conseguir equilíbrio suficiente para tirar um pouco o pneu traseiro do chão, melhor ainda.

 

Uma vez que a tração da roda traseira é tirada da jogada, use seus pés pra travar os pedais na posição horizontal. Empurre para baixo o pedal que sobe, e puxe para cima o pedal que desce (é por isso que se precisa do clip ou firma-pé). Isso faz com que a bike pare, e com tempo e prática é possível dar skids mais ou menos longos de acordo com a necessidade apenas com uma leve mudança na posição do corpo.

 

Step 4: Pratique, Pratique, Pratique

 

Mesmo com um bom entendimento da freada você ainda vai precisar de muita prática. O objetivo é executar essas manobras numa situação controlada muitas vezes para se atingir o que se chama de memória muscular (o movimento se torna automático).

 

Acredite — algumas horas de “skid stop” num estacionamento é melhor que ficar fazendo força sobre seu guidão repetidamente.

 

Enquanto você vai aprendendo a dar seus skids você experimentará várias maneiras, mais e menos eficientes de se parar sua bike.

 

Dica: Ainda em dúvida com a mecânica do Skid Stop? Tente hitting up YouTube para alguns vídeo tutoriais. Além dos fundamentos, a galera das fixies colocou um monte de outros métodos de parada para os entusiastas.

 

Step 5: Faça seu testamento

 

Depois que você tiver gastado todo seu pneu dando skids e ele furar enquanto você estiver tentando se equilibrar com sua “Messenger bag” cheia de MacBooks, você provavelmente irá cair, deslizar pra baixo de uma Kombi, e morrer. Tenha certeza que você especificou quem vai ficar com seu Pedivela Paul Flush, Selim Brooks, headset Chris King… você não vai querer que suas coisas vão para inventário não é mesmo.

 

Fontes:

Esse texto foi interpretado e traduzido por Wagner de Carvalho (Wagneta) do blog Lockring e FixaSampa.

 

Tutorial encontrado aqui. Além disso existem muitos videos no Youtube sobre o assunto como este encontrado AQUI.

 

O texto original publicado no blog do FixaSampa está aqui. Somente efetuamos algumas correções, mas nada que deturpe o texto original.

 

P.S.: Apesar de não sermos muito favoráveis aos skids; dado que eles estressam os componentes da bike e implicam em um elevado consumo de pneus; publicamos este tutorial para ajudar aqueles que preferem parar a fixa com skids.

 

Neste link AQUI (do post : "O Custo da Diversão de Frear com Skids") calculamos o custo da brincadeira de brecar a fixa com SKIDS, não é muito barato - sendo comedido, o custo é de quase uma LaBici (singlespeed do Sam´s Club).

 

by MarchaFixa


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Bike Check: LaBici SS do Sam´s Club


Este post de certa forma é continuação do anterior: Montar Uma Fixa Básica do Zero OU Comprar Pronta?”

Bike Singlespeed LaBici - Sam´s Club
Examinei essa bike singlespeed no Sam’s Club no bairro Barra Funda/Bom Retiro em São Paulo. A que estava em exposição é preta, mas tinha outra na caixa na côr branca.

Ela só se transforma em fixa (sem gastar muito) se for feito um “suicidal hub”; ou seja, colocar um pinhão colado (com trava-rosca de alta intensidade) no lugar da roda-livre e rosquear um “lockring” de movimento central, também colado para ajudar a manter o pinhão no lugar.  Entretanto, isso torna perigoso dar skids.

Ressalte-se que o quadro dela é muito parecido com o da Viking-X, assim como o garfo; as principais diferenças são: as rodas (Viking com perfil bem alto - estilo aro Velocity B43 e cubo de fixa na traseira e na LaBici perfil mais baixo tipo aro Vzan Spin e cubo de singlespeed na traseira); caixa de direção (aheadset na Viking e de rosca na LaBici); ferraduras de freios Radius são melhores que os Lee Chi da LaBici. Entretanto, esses “diferenciais” implicam que a Viking-X custe 50% a mais que o preço da LaBici.

Bike Fixa Viking-X
Na caixa dessa bike estava escrito o site da empresa: www.labici.com.cn , mas para a nossa surpresa esse modelo não estava na lista de produtos dela !!!

A lista de componentes vai estar incompleta, pois não foi possível identificar todas as marcas, mas colocamos as nossas suposições.

Componentes da LaBici modelo LB-700
 Fotos das Diversos componentes da LaBici - debaixo de cada descrição
Quadro: LaBice em aço carbono, geometria slooping, com tamanho Tubo do Selim C-T: 53cm; e Tubo Superior (C-a-C): 56cm. As soldas são bem acabadas, muito melhores do que qualquer bike de supermercado ou que as Caloi feitas de aço carbono. Porém tem uma fraqueza, não tem o “bridge” entre os “chinstays”, o mesmo ocorre com a Viking-X. Na página 2-17 do Paterek Manual for Bicycle Framebuilders é dito que o “chainstay bridge” é importante por duas razões: 1) - Ele acrescenta uma quantidade considerável de rigidez ao triângulo traseiro, 2) - Ele fornece uma maneira de fixar uma das extremidades do para-lama traseiro. Abaixo tem a foto do “chainstay bridge”.

Quadro Sem  "Chainstay Bridge"
Gancheiras do quadro: 4mm de espessura.

Garfo: LaBici – “unicrown” em aço carbono. Ele têm “massa” (mais pêso) e a distância entre o centro do eixo dianteiro até a base da pista do garfo é de 41 cm!!!  Os garfos rigidos de MTB tem essa distância entre 39 à 42cm. Em comparação um garfo Alien de pista com rake de 28mm - essa mesma medida tem uma distância de 36 cm. Por outro lado, esse garfo da LaBici permite acomodar pneus maiores: 700 x 32 até 700 x 38 ou maior ainda.

Garfo com Muito Espaço para Pneu 700x38 ou Maior

Selim: Genérico com rebites de imitação do selim San Marco Regal.

Canote: Zoom em aluminio preto (Obs.: Presumimos que seja da Zoom, pois a mesa é da Zoom.).

Aros: Aluminio genéricos com 28 furos, mas provavelmente sejam da Stars Circle - maior fabricante de aros e rodas da China - website: http://www.stars-rim.com/. Eles são uma imitação de rodas prontas, pois os furos são agrupados de dois em dois. Essa furação de 28 dificulta a troca do cubo traseiro por um com pinhão fixo. Além disso, roda com 28 furos não é adequada (robusta) para ciclistas mais pesados e para enfrentar a “alta” qualidade do pavimento das nossas ruas.

Raios: Genéricos;

Pneus: CST – 700 x 28;

Guidão: Zoom em aluminio preto (Obs.: Presumimos que seja da Zoom, pois a mesa é da Zoom.).

Manoplas: Genéricas;

Mesa: Zoom em aluminio. Os componentes fabricados pela Zoom são básicos, mas tem uma qualidade / aparência bem razoável.

Mesa Zoom (estampado nela)
Cubo Traseiro de Singlespeed: Joytech com 28 furos. Ele é do nível de um ShunFeng ou Quando. É bem básico, pois os espaçadores são de ferro.

Cubo Joytech - Espaçadores em Aço
Cubo Dianteiro: Joytech com 28 furos;

Pedivela: Genérico em aluminio com 170mm e furação de 130 BCD. O pedivela não é de fixa, mas de estrada, pois tem as “abas” de aluminio para colocar uma segunda coroa. Entretanto, em termos funcionais qualquer pedivela pode ser usado em uma fixa urbana desde que ele seja curto (165mm) e que proporcione uma boa linha da corrente sem esbarrar no “chainstays”.  Como o “drop” do movimento central é pequeno (50mm), então um pedivela de 170mm não causa problemas.

Pedivela de Estrada (suporte "aba" p/ 2a. coroa)

Coroa: Genérica de aluminio com 48;

Roda Livre: Genérica 18 dentes;

Corrente: Genérica (1/8”).

Pedal: Genérico de Aluminio e com muita “massa”, ou seja é pesado, vejam as fotos de um BTwin da Decathlon;

Pedal da Labici

Pedal Btwin - Decathlon

Movimento Central: Genérico (provavelmente Chin Haur ou Neco.);

Caixa de Direção: Genérica (provavelmente Chin Haur ou Neco).

Freio Dianteiro / Traseiro: Lee Chi com pinças longas, e similares a esses são vendidos no Brasil, como os da marca Alhonga. Nos forums do exterior não falam muito bem sobre eles.

Manete de Freio: Tektro.

O “drop” do movimento central é de 50mm, mas isso é devido ao fato de que o garfo é bastante alto (41 cm) - similar ao de uma MTB.

Ela deve pesar uns 13 a 14 kgs, na caixa com embalagem é mencionado um peso bruto de 16,1 Kgs. Onde está o excesso de pêso?
1) no garfo; 2) nos pedais; 3) têm um freio/manete à mais - isso no caso de ser usada como fixa; 4) suporte para estacionar a bike; 5) excesso de componentes em ferro, nos quais pode ser usado material mais leve (por Ex: espaçador de alumínio em vez de espaçador de ferro no cubo traseiro). Os itens mencionados são aqueles que são possíveis de serem trocados sem incorrer em grandes gastos, mas o garfo não se enquadra nisso. Obviamente, o quadro de carbono sempre pesa mais e contribui muito para o peso final da bike.

LaBici - 700c Fixie Bike ?!?!?!?

Provavelmente não será possível trocar o garfo para reduzir o peso pelo fato de que isso aumentaria o “drop” do movimento central. Explico: A altura do garfo em termos da distância do centro do eixo do cubo dianteiro até a base da pista do garfo influência o “drop” do movimento central; pois colocando um garfo de speed com distancia de 37cm (por Ex.: garfo Spinner em cromoly da KHS Aero Turbo (bike de speed) que tem essa medida) a frente da bike cairia uns 40 mm e isso aumentaria o “drop” do movimento central, o que não é aconselhável em uma fixa. Por outro lado, ela montada como singlespeed, isso não causaria nenhum problema.

A seguir transcrevemos às opiniões dos ciclistas que pedalam uma LaBici.
No site do www.pedal.com.br no tópico “Single Speed (Filosofia)” um ciclista SJNOB - (apelido no fórum do Pedal) que possui uma LaBici fez os seguintes comentários - aqui
 “Comprei uma dessas La Bici - primeiras impressões: muito honesta pelo preço pago R$600,00.  Freios Tektro ferradura, simples mas confiáveis se bem ajustados; aros aero de alumínio, brancos, pneus CST 700x28, pedivela 170mm também branco, coroa 48 branca, pinhão (roda livre) 18, quadro em aço muito confortável, absorve bem as irregularidades do piso, garfo também de aço, guidão de alumínio e mesa de aço (Nota: É aluminio - marca Zoom - e está estampado em baixo relevo). Comprei uma preta com detalhes em branco e vermelho, muito bonita mesmo. Achei a relação um pouco pesada, é preciso estar bem treinado. Ando de speed e MTB, média de 300Km/semana, e sofri em algumas subidas. Depois que embala no plano, é uma beleza. Selim branco vintage, com tachas, canote de alumínio”
Além disso ele acrescentou em outro post o seguinte (neste link aqui):
“Duas semanas de uso de LaBici e estou muito satisfeito. Bike barata e confiável, e deu até um up no meu treinamento. Acreditem, não é fácil andar 48x18 o tempo todo, minha cidade tem alguns topzinhos brabos. O quadro é 18,5", ficou muito bom pra mim (1,81m). Tudo funcionando legal, a bike já vem montada, basta colocar mesa, guidão, rodas e pedais, ajustar os freios e pronto. Levei menos de meia hora e já tava andando. Fiz uma boa compra, ainda mais tendo em vista o custo benefício - R$600,00 - acredito que não montaria nada igual por esse valor.”

A Luiza participante do grupo FixaSampa que adquiriu uma LaBici - comentou com o grupo o seguinte sobre a bike:
“A bicicleta, apesar de 100% chinesa, é até bem feita. São poucas as peças de plástico; o manete dos freios, a mesa e o pedal são de aço, como o quadro, e o guidão de alumínio.
Achei a bike um pouco pesada para uma roda livre. Segundo a caixa, são 14 kg (ainda não a pesei) e suponho que esse "excesso" seja devido ao material do quadro (aço carbono) e as dimensões dos tubos, que são mais grossos que os de algumas fixas que vejo por ai. De longe até lembra um MTB com gancheira horizontal e mais espaço pras rodas (700).
Ela veio completa, inclusive com campainha embutida no manete do freio da frente (tirei uma foto pra que quiser ver). Os freios dianteiro e traseiro são tipo ferradura e feitos de metal. A relação é 44x17. Achei boa, forte e veloz. Estou sofrendo um pouco nas subidas, mas ainda não desmontei e empurrei em nenhuma.
Apesar de bonita e bem feita, tem alguns poréns... Os aros tem 28 furos, assim como os cubos. Ou seja: é impossível trocar o cubo sem trocar a roda toda. Além disso, um amigo meu que entende de rodas disse que os raios foram montados de uma forma que ficam levemente envergados, o que causa um certo stress e pode diminuir a vida útil dos raios.
Ainda vou mexer muito nela, fixar, mudar cores, tirar um dos freios, etc. Com o tempo (e $) vou relatando as mudanças.

Concluindo: Para quem tá começando, por ser uma bike de supermercado e que custa na faixa de R$600,00 tem um bom custo-benefício.”

Existem informações desencontradas sobre o material (aço ou aluminio) que são feitos certos componentes. Por exemplo, a Mesa Zoom, que para mim é de alumínio, mas a Luiza diz que é de aço; até onde vai meu conhecimento a Zoom faz mesas somente em alumínio e o formato da mesma é de uma de alumínio (acho que no passado fizeram em cromoly mas com formato diferente e com solda aparente). O mesmo ocorre com os pedais, que para mim são de alumínio, mas ela diz que são de aço. A falha é minha, pois não levei um imã para passar nas diversas peças da bike para identificar o material.

Meu comentário no FixaSampa sobre o 1o. post do SJNOB:

“Por esse preço está muito bom. A guisa de comparação: uma Viking-X fixa (lugar mais barato é na DKS em Mauá por R$ 990,00) de diferencial só tem o aro que é uma cópia do B-43 da Velocity e o resto é até inferior: freio Radius, o Tektro é melhor; e o pedivela é Dotek (um xing-ling) que não é forjado; os cubos não tem marca, mas deve ser do nível de um Quando ou ShunFeng flip/flop. Ressalte-se que os tubos do quadro tem um diâmetro bem maior do que aqueles de uma Caloi 10, beirando um "oversize"”.

Meu comentário sobre o post da Luiza no FixaSampa:
“O pêso diz muito sobre uma bike. Esses componentes de aço prejudicam em termos de pêso, mas muitos deles são relativamente baratos substituí-los por uns de alumínio.
Esses aros com 28 furos são estranhos mesmos, incompatíveis com uma bike de supermercado, considerando que o volume de produção desses aros é muito baixo (consequentemente os custos de produção são mais altos), pois a furação mundialmente mais utilizada nas bikes de estrada e/ou MTBs são os aros de 32 furos. No Brasil, é quase impossível você achar qualquer cubo com furação de 28 furos e aros são mais raros ainda. No exterior você encontra aros com 28 furos – 90% é para pneus tubulares - para competição - que não é o caso de uma bike fixa urbana básica.

Ressalte-se que a Campagnolo não produz cubos de Pista Record com furação de 28 furos, somente com 32 e 36 furos, e esses são cubos  de competição, conforme este link aqui"

Vou repetir aqui, o que comentei no post anterior sobre as opções para converter em fixa uma LaBici:
1) colocar uma roda fixa nova (custo de +/- R$ 125,00 com cubo ShunFeng de fixa, aro Vzan Spín - é párecido com o dianteiro, raios inox e montagem da roda); 2) colocar um anel para converter o cubo existente em fixo para pinhão parafusado – conforme detalhado neste post aqui, e isso fica em R$ 100,00 (isso foi o que gastei para fazer um) e mais um pinhão parafusado inox de R$ 60,00 a R$ 70,00 mas é possivel furar um de cargueira e aí o custo fica em R$ 15,00 a R$ 20,00 ; 3) instalar um FixKin Lock (que rosqueia no cubo) para colocar um pinhão Miche de encaixe, o custo do FixKin Lock com frete fica em EUR $ 18.50 , que é +/- R$ 45,00, e o pinhão Miche custa cerca de R$ 60,00 e tem a venda no Brasil. Nota: Sobre o uso do FixKin Lock para converter cubo de rosca em cubo de fixa existe um post específico AQUI.

FixKin Lock e Adaptadores p/ Pinhão Parafusado


Em resumo, essa LaBici é uma boa alternativa para que está iniciando no mundo das singlespeeds ou bike fixa;  para aqueles que querem uma bike básica para pedalar em momentos de lazer sem grandes gastos; e também para aqueles que não querem ou não tem paciência/conhecimento para montar um fixa do zero e querem evitar gastos com tentativas e erros e perda de tempo.

Boas Pedaladas a Todos

by MarchaFixa