Bianchi Ocelot MTB Fixa (pinhão Surly Dingle 21x17 e a altura do mov.central é 29cm)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Bike Check: Alien Fixa

Essa fixie inicialmente foi montada em 2008/2009 e ao longo dos anos sofreu diversas modificações nos seus componentes, cada vez mais antigos e sempre da Campagnolo.


Bike Fixa Alien


O quadro foi adquirido nos Estados Unidos, sem pintura – somente com a fosfatização, para a Alfandega não implicar com o valor do mesmo - através dos Correios e esse é o primeiro modelo produzido pela Alien - “old school”.  Atualmente, as Alien não são mais produzidas em cromoly, mas em alumínio e em outro estilo - mais modernoso. O dono da Alien lançou outra marca - Viking Cycles – cujos quadros possuem uma geometria de fixa tradicional - “old school” e que também são fabricados em cromoly com cachimbos e garfo cromado. As diferenças entre esses dois quadros são: os tubos da Viking são Reynolds 520; ela é toda cromada por baixo da pintura, e as gancheiras são no estilo Campagnolo; e no resto são iguais (geometria, cachimbos, rake do garfo etc.). Uma tabela comparativa da geometria da Alien (que é igual a da Viking) pode ser vista neste post AQUI: “Bike Check: Viking do Martens” . Ressalte-se que o “drop” (queda) do movimento central da Alien é de 55mm, que difere do mencionado na tabela de geometria, devido a troca de garfo (os de pista são mais curtos que os de estrada), ou seja, isso levantou um pouco a frente da bike. Esse “drop” de 55mm é ótimo para uma fixa urbana.



A troca de garfo aumentou a distancia entre a roda e o tubo inferior (“D/T – Wheel gap” – Down tube to Wheel gap) que passou de 11mm (quadro 55cm) para 30mm, ressalte-se que ela está com pneu 700 x 25. Isso foi devido a dois fatores: 1) o garfo novo tem mais “rake” – deixa a roda mais para frente; e 2) a distancia do centro do eixo do cubo até a base do garfo (aonde assenta a pista do garfo) é maior nesse garfo de carbono do que no garfo original dela.

A cor creme foi inspirada em uma bike de pista/fixa construída por Bob Jackson – conhecido framebuilder inglês, e como decorrência os componentes foram escolhidos de acordo. Ela teve a traseira cromada e a pintura foi feita pela Diamond Designs. Acho que é a única das Aliens que tem os decalques com o nome da marca, os quais foram feitos no Brasil a partir de um arquivo em Corel Draw fornecidos pela Alien. Na galeria de fotos da Bertelli (eles fabricam quadros similares aos Viking/Alien), AQUI  existem muitas fotos de fixas montadas a partir de quadros da Alien. E no site Velospace tem um "cluster" cheio de fotos de diversas montagens de Aliens, neste link AQUI.




Alien Fixa Montada por Bertelli

A principal modificação foi o abandono do garfo original (era igual a esse da Viking do Martens, mas sem o cromado - vide AQUI - ou da fixa montada por Bertelli acima) que tem um rake de 28mm, dado que com o tamanho da espiga só era possível usar três modelos de caixa de direção – todas com “stack height” (altura = diferença entre o comprimento da espiga - 172mm e o tubo frontal - 140mm) de cerca de 32mm –  compativeis com essa altura existem 3 caixas de direção: Tange Passage, Shimano 105 (HP-1055) e Hatta Swan (certificada NJS). Esta última custa o redor de US$ 100.00 mais frete e imposto de importação, mas não tem nenhuma vedação - pois é para uso nas bikes de pista (keirin) japonesas. Ou seja, com esse tamanho de espiga uma caixa de direção Campagnolo não encaixa de jeito nenhum, pois tem uma altura (“stack height”) de aproximadamente 38mm. A solução foi esse garfo de carbono da Time dos anos 90 com espiga de cromoly e que tem um rake de 45mm. Nele foi instalada uma caixa de direção Campagnolo Record com furo para lubrificação. Essa bike ficou muito confortável, pois um garfo de carbono absorve bem as vibrações.



Caixa de Direção Tange Passage - A Mais Baixa de Todas (30.6 mm)


Inicialmente, ela foi montada com um cubo de fixa IRO – flip/flop com flange baixa para ficar compatível com o cubo de pista C-Record na dianteira que também era de flange baixa, e depois o IRO foi substituído por um cubo C-Record de flange baixa que converti para pinhão parafusado e isso foi descrito AQUI no post: “Cubo Campagnolo C-Record com Pinhão Parafusado” . E o canote era Campagnolo Record Aero, mas que foi trocado por um mais antigo – Campagnolo Super Record (“flute”) dos anos 80, que tem os sulcos ("fluted") como o pedivela, e maiores informações sobre ele estão neste link AQUI.



Cubo de Fixa IRO - flip/flop

A mesa era uma Cinelli Grammo de titânio com um guidão “riser” Azonic “double wall”, os quais foram substituídos respectivamente por uma mesa 3TTT modelo Record 84 e por um “bullhorn” da Nitto. O “bullhorn” a deixou muito mais agradável para pedalar do que o guidão “riser”.

A pinça de freio utilizada inicialmente era uma do grupo Chorus deste século, mas troquei por uma Chorus monoplaner dos anos 80/90.



Freio Chorus Monoplaner


A maior alteração e a mais recente foi a substituição das rodas que eram Mavic CXP22 (pretas) por aros Mavic MA3 polidos (perfil baixo – parecidos com tubulares) e cubos Campagnolo Record Strada de flange alta fabricados em 1966, os quais foram convertidos em cubos de fixa – os eixos foram trocados por sólidos e no cubo traseiro foi colocado um anel adaptador para parafusar um pinhão fixo da Velosolo. Isso deixou a fixa mais “old school”. O processo de conversão desses cubos antigos em cubos de fixa está descrito neste post AQUI: "Como Converter Cubo de Rosca em Cubo de Fixa (p/ Pinhão Parafusado)" .


Esses aros antigos da Mavic foram encontrados “NOS” (New Old Stock – Novos, mas Estoque Antigo) em uma bicicletaria na Argentina e os cubos também são “NOS”, estavam na caixa intocados, garimpados numa bicicletaria nas cercanias de São Paulo.


Cubos Campagnolo Record Convertidos com Aros Mavic MA3 


Cubo Campagnolo Record Strada c/ Pinhão Parafusado 

Alguém vai se perguntar: Por que fazer a conversão desses cubos, se existem cubos de pista da Campagnolo prontos para serem montados??? Em primeiro lugar, a Campagnolo não fabrica mais cubos com flange alta, só com flange baixa. E cubos de pista da Campagnolo com flange alta “NOS” (Novos, mas Estoque Antigo) custam mais caros que os novos de flange baixa, o preço é para colecionadores. Fiz uma pesquisa no eBay e encontrei cubos de pista Campagnolo com flange alta “NOS” (Novos, mas Estoque Antigo) pela bagatela de US$ 499.00 mais frete e provavelmente teria de pagar um imposto de importação de 60%. E recentemente (Julho/2013), ví no eBay - Suiço um cubo similar ao da Alien pela bagatela de US$ 799.00 !!! Voces podem ver essa oferta neste link AQUI.  Uma cópia da image em PDF da oferta no eBay (de US$ 499.00) está no outro link abaixo assim como a foto dos cubos - o detalhe é que esse cubo tem rosca 35 x 24 tpi (rosca italiana para pinhão/roda-livre daqueles tempos). Ressalte-se que esse não é o mais caro, pois cubos Campagnolo de Pista USADOS com certificação da NJS custam cerca de US$ 780.00 mais frete. O cubo traseiro Record Strada tem espaçamento de 120mm (o mesmo que um cubo de pista) e só serve para roda-livre de 5 velocidades, e a conversão para pinhão parafusado permitiu colocar eles na ativa.

O link para a imagem em PDF do leilão dos cubo de pista Campagnolo NJS no eBay está AQUI.



Cubo Campagnolo Record Pista NJS (por US$ 780.00)


Cubo Campagnolo de Pista NJS (c/estampo)

Nesse link abaixo é mostrado em PDF a página do leilão no eBay de um cubo de pista Campagnolo com flange alta no estado de “NOS” –  “Novo, mas Estoque Antigo”. Link para o PDF no Scribd.






Cubo Campagnolo Record Pista "NOS" - US$ 499.00


Pedivela Campagnolo Super Record Pista - 1983


No processo de conversão do primeiro cubo Campagnolo descrito AQUI ,  descobri que o comprimento do eixo traseiro dos mesmo  está dimensionado para a espessura de gancheiras que são estampadas a partir de chapas (como as gancheiras da Campagnolo) e não aquelas microfundidas (mais espessas), que é o caso das gancheiras da Alien, mas na Viking isso não ocorre. A solução foi usar um eixo sólido de cromoly (rosca 10 x 26 tpi) fabricado nos Estados Unidos pela Wheels Manufacturing (com 164mm) em vez do original da Campagnolo que tem cerca de 158mm.

Depois dos cubos, o componente mais antigo é o pedivela Super Record Pista, que foi fabricado em 1983 conforme este link AQUI , e nas NOTAS diz que: “Iniciando em 1973 os braços do pedivela tem um código composto por um diamante (1970), círculo (1980), quadrado (últimos Super Record), com um número no centro denotando o último dígito do ano de fabricação”. Atrás do pedivela tem um circulo com o número 3 dentro dele.

Ressalte-se que até o momento não tive nenhum problema com os cubos convertidos para pinhão parafusado através desse anel- adaptador, e ambos são Campagnolo Record, sendo um deles com flange baixa.


Componentes da Alien

Quadro: Alien (2007/2008) em cromoly, cachimbado e com gancheiras de pista microfundidas.

Garfo: Time (francês) de carbono com espiga standard de cromoly.


Cubo Traseiro: Campagnolo Record Strada de 1966 com eixo sólido da Wheels Manufacturing e anel-adaptador para pinhão parafusado.


Cubo Dianteiro: Campagnolo Record Strada de 1966 – com eixo sólido da Campagnolo.


Caixa de Direção: Campagnolo Record.


Guidão: Nitto bullhorn – RB-018.


Mesa: 3TTT Record 84.


Fita de Guidão: Fizik.


Manete de Freio: Dia Compe Dirty Harry.


Freio: Campagnolo Chorus Monoplaner.


Canote: Campagnolo Super Record 27.2 .


Selim: Brooks Professional.


Movimento Central: Chorus (triple - selado) 111mm.


Pedivela: Campagnolo Super Record Pista 165mm (144 BCD) de 1983.


Coroa: Sugino Mighty – 44 dentes – 3/32”.


Corrente (fina): KMC Z610HX – 3/32” (BMX).


Pedal: Campagnolo Chorus Aero.


Firma-Pé: Campagnolo Chorus.


Correias: Brooks.


Aros: Mavic MA3 polidos – 36 furos.


Raios: DT Swiss – raiação em 4X (a mesma de rodas keirin).


Pinhão: Velosolo – 17 dentes – 3/32” com furação ISO.


Pneus: Slime 700 x 25.

É importante ressaltar que esta fixa foi montada com pouquíssimos componentes de uso em velódromo. As exceções são o quadro (p/treino) e o pedivela, porém ele dado o tempo de uso, é arriscado submete-lo a muito esforço, ou seja, não é aprropriado usar esse pedivela no velódromo. A falta de componentes de pista ou de fixa não afeta em nada a sua performance nas ruas. Enfatizo que o uso de componentes de pista em uma fixa é uma opção e não uma obrigação. E skids, só em emergências do tipo o freio quebrou, caso contrário nunca, pois estressar componentes cuja reposição é cara / difícil  não é muito sensato.

Boas Pedaladas a Todos

By MarchaFixa

P.S.: Segundo os “estailantas de coritibúúú” essa fixa tem alguns “defeitos” graves: Usa firma-pé, porém com um pedivela Super Record Pista antigo (1983) é isso que é adequado e coerente, mas não em Coritibúúú!!! Outro problema é que ela está com  guidão “bullhorn” e segundo os “estailantas de coritibúúú” isso é um horror estético, mas isso é mera opinião de “fixanta”. Infelizmente ela não têm nenhum componentes “xing ling”  que é muito valorizado pelos “estailantas”, mas por outro lado tem um garfo (de speed) com rake de 45mm que é o padrão “pisteiro” em Coritibúúú City, mas no resto do mundo, os de pista verdadeiros são aqueles com ”rake” abaixo de 40mm. Sem esquecer a maior blasfêmia que é usar um cubo Campagnolo Record Strada com pinhão parafusado, mas provavelmente um “estailanta” desvairado de Coritibúúú vai colocar um cubo Campagnolo Pista NJS (de US$ 780.00) para dar skids, pois na terrinha do FEBECAF - Festival de Besteiras de Coritibúúú que Assola as Fixas qualquer estultice é possível.

4 comentários:

  1. Cara, acompanho seu blog e acho o conteúdo dele muito bom, ensina realmente muita coisa àqueles que não conhecem muito sobre a mecânica dessas bikes.

    Mas cara, fica como dica construtiva: eu sou de Curitiba e conheço alguns dos "estailantas, fixantas, etc" que você aparentemente não gosta muito. E posso te garantir que não são todos assim. Eu fui à loja de um deles há um tempo atrás e nunca fui tão bem recebido assim antes, fiquei cerca de meia hora só batendo papo com o dono, aprendendo sobre as fixas, foi o meu primeiro contato com elas. E cara, eu tava de Caloi 10, bicicleta que não tem melhor pra gente como a que você cita no texto falar mal, e nada, fui tratado super bem. Acho que essa postura de generalizar os ciclistas curitibanos como sendo preconceituosos e "elitistas" não é muito saudável. Pense nos seus leitores curitibanos, quantos não podem acabar se assustando com o - suposto - cenário local deles e até desistindo de pedalar? Confesso que eu mesmo fiquei um pouco assustado e com um pé atrás de ser julgado pelos fixeiros que você fala, mas isso não vai acontecer, pelo menos com os que eu conheço, afinal se me trataram bem de C10, não vão me tratar mal de qualquer que seja a bicicleta. Reforço: não conheço todos eles, mas sei que não são todos assim como você descreve também. Pode ser que uma parte seja, e nesse caso, peço para que você não generalize e acabe sujando a imagem dos outros, que são pessoas muito boas. Abraço!

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    1. OBRIGADO PELA AUDIÊNCIA. Não costumo postar esse tipo de comentário de anônimos. Provavelmente você deve frequentar alguns forums de bikes - tipo Pedal.com.br e quer permanecer nas sombras. As suas colocações parecem aquelas enviadas às revistas semanais protestando que a revista está denegrindo a imagem dos políticos em geral por fazer reportagens sobre os trambiques de alguns. É óbvio que não são todos os curitibanos que merecem a pecha de intendidus de coritibúúú e outros adjetivos; é apenas uma minoria de uma meia duzia que escrevem no blog e outra meia dúzia que é a claque de aulicos nos comentários das postagens. Obviamente, qualquer comerciante inteligente (de Coritibúúú ou não) nunca vai desprezar a biciclleta do cliente por mais simples que seja, e andar de Caloi 10 convertida em fixa não é pecado e nem blasfêmia. Talvez você não saiba, mas muitos que fazem parte do blog dos coritibúúús, tiveram como a primeira fixa uma Caloi 10 convertida, e acho que não é de bom tom cuspir no prato que comeu. Aliás, esse comerciante que você bateu papo já converteu muita Caloi 10 em fixa.
      O problema do blog dos “intendidus de coritibúúú” é que eles DESINFORMAM o público sobre as bikes fixas, ou parafraseando a vilã Carminha da novela Avenida Brasil: “Parem de adubar o mundo das fixas com esse blog”. O Bike Fixa Brasil não tem preconceito, mas têm ojeriza à estultices, à ”achologia” etc.; coisa que os “intendidus” são imbatíveis (leia o post “Os Mitos sobre as Bikes Fixas” e outros), se houvesse uma Fixolimpiada de Estultice, eles ganham disparado. Elas são tantas que deu para parafrasear Stanislau Ponte Preta (criador do FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola no País) e criar o FEBECAF - Festival de Besteiras de Coritibúúú que Assola às Fixas, não esqueça de ler e reler o post: “Bike Check: Bianchi Ocelot Fixa”, neste link: http://bikefixabr.blogspot.com.br/2011/11/bike-check-bianchi-ocelot-fixa.html

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  2. Em termos de garfo o de carbono é mais leve que um cr-mo? Sempre leio que o Cr-mo tem a vantagem de ser mais "flexível" mas pelo teu texto parece que o carbono tenha essa característica...

    Valeu ae!

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    1. JonasRS,

      O carbonon é mais leve é mais rígido que o Cr-Mo, porém dado as suas caracteristicas ele "amortece" melhor as vibrações provocadas pelas imperfeições do terreno, Vide o final deste post aqui: http://bikefixabr.blogspot.com.br/2011/09/escolha-do-quadro-da-fixa-geometria-de.html - onde são comparadas as propriedades dos diversos materias usados nas bikes em geral. Ats, MF

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